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Bolsonaro volta a criticar medidas contra Covid e diz que efeito colateral não pode ser pior que vírus

Reuters
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3 de abril de 2021 - 12:40 - Atualizado em 3 de abril de 2021 - 12:40

Por Pedro Fonseca

(Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar neste sábado as medidas de restrição impostas por governadores para conter a disseminação do coronavírus no momento em que o Brasil enfrenta seu pior momento da pandemia, e disse que o efeito colateral do combate à Covid-19 não pode ser pior do que a própria doença.

Apesar de o Brasil ter se tornado o novo epicentro da pandemia no mundo, com mais de 3 mil mortes por dia em média nos últimos sete dias, Bolsonaro tem se mantido firme contra as medidas de isolamento social, que são recomendadas por autoridades sanitárias para conter a circulação do vírus.

“A política de lockdown tem um efeito colateral muito grave, muito danoso, que é o desemprego”, disse Bolsonaro a repórteres no Palácio da Alvorada, após visitar uma igreja no entorno de Brasília que oferece refeição para pessoas necessitadas. “O efeito colateral não pode ser mais danoso do que o próprio vírus”.

O presidente tem travado uma disputa acirrada com governadores que impuseram o fechamento de atividades econômicas mediante o colapso de seus sistemas de saúde, e chegou a apresentar ação ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra chefes de Executivos estaduais.

Bolsonaro gravou um vídeo, publicado em suas redes sociais, durante a visita à igreja, e disse que a situação com os governadores não se trata de uma guerra política.

“Cada vez mais, com mais desemprego, a política do fecha tudo e fica em casa, mais gente está comendo menos, alguns passando necessidades seríssimas, e nós temos que vencer isso. A guerra da minha parte não é política, é a guerra que tem a ver com o futuro de uma nação. Não podemos esquecer a questão do emprego”, disse.

O presidente também anunciou que o Ministério da Defesa colocará as Forças Armadas à disposição do Ministério da Saúde para apoiar a campanha de imunização contra a Covid-19. No entanto, o maior entrave à vacinação não tem sido a falta de pessoal, mas sim a escassez de imunizaste, uma vez que o Brasil demorou a fechar contrato com fornecedores.

Ao longo da pandemia, que já matou mais de 328 mil pessoas no Brasil, Bolsonaro disse diversas vezes que não tomaria o imunizante, mas recentemente mudou de discurso e admitiu a possibilidade de ser vacinado. Neste sábado, ele voltou a afirmar que pode tomar o imunizante.

“Eu já estou imunizado com o vírus. Se acharam que eu devo me vacinar eu vacino, sem problema nenhum. Mas acho que essa vacina minha tem que ser dada a alguém que ainda não contraiu o vírus e corre um risco muito maior do que eu. Da minha parte não tem problema nenhum buscar um posto de saúde e me vacinar agora que chegou a minha idade”, disse.

Bolsonaro, de 66 anos, poderia ser vacinado contra a Covid-19 em Brasília a partir de sábado, quando a capital federal passou a imunizar a faixa etária dele. Na quinta-feira, o presidente disse que decidiria sobre tomar ou não a vacina contra Covid depois que “o último brasileiro for vacinado”.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)

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