Notícias

Bolsonaro diz que laboratórios precisam correr atrás de registros de vacinas para vender ao Brasil

Reuters
Reuters
Bolsonaro diz que laboratórios precisam correr atrás de registros de vacinas para vender ao Brasil
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia em Brasília

28 de dezembro de 2020 - 12:46 - Atualizado em 28 de dezembro de 2020 - 12:50

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro cobrou hoje dos fabricantes de vacinas contra Covid-19 que apresentem os pedidos de registro dos imunizantes à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disse que a responsabilidade de tornar as vacinas disponíveis é dos laboratórios, e não dele.

“O Brasil tem 210 milhões de habitantes. Então é um mercado consumidor enorme de qualquer coisa. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para a gente? Por que então eles não apresentam a documentação na Anvisa?”, disse.

O governo brasileiro vem sendo cobrado por só prever o início da vacinação em massa contra Covid-19 no final de fevereiro, enquanto diversos países –inclusive na América Latina, como México, Argentina e Chile– já estão começando a vacinar ou prevêem iniciar a vacinação nos próximos dias.

Na maioria dos casos, os países estão usando a vacina do laboratório Pfizer em parceria com a BioNTech, a primeira no mundo a obter registros emergenciais e começar a ser distribuída. Na Argentina, a vacinação deve começar com a vacina russa Sputnik V.

A Pfizer ainda não pediu o registro emergencial na Anvisa porque, segundo eles, o contrato para fornecimento do imunizante com o governo brasileiro ainda não foi fechado.

O governo brasileiro recebeu vários contatos do laboratórios a partir de agosto mas, segundo a Pfizer, não respondeu. Há cerca de um mês o Ministério da Saúde começou a negociar a compra de 70 milhões de doses –suficientes para vacinar 35 milhões de pessoas– mas ainda não fechou o contrato.

A previsão é de entrega de 8,5 milhões de doses no primeiro semestre, mas apenas cerca de 500 mil em janeiro, e o laboratório já informou que, agora, não tem condições de acelerar a entrega para o Brasil.

Bolsonaro voltou a dizer que não está preocupado com pressão sobre o acesso às vacinas –no domingo, ao ser questionado sobre o tema, o presidente disse que “não dá bola para isso”– e que se pedisse registros mais rápidos seria acusado de tentar interferir na Anvisa.

“Certas coisas você não pode fazer correndo, está mexendo com a vida do próximo. A imprensa meteu o cacete em mim. Agora se eu vou na Anvisa e digo ‘corre aí’, eu estou interferindo”, reclamou.

Além das tratativas com a Pfizer, o Brasil já tem acordo para fornecimento de doses da vacina feita em conjunto entre a AstraZeneca e a Universidade de Oxford, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que estima entregar doses em fevereiro. Também não há ainda pedido de registro desta vacina junto à Anvisa.

O governo do Estado de São Paulo também tem acordo com o laboratório chinês Sinovac e terá, até a quinta-feira, 10,8 milhões de doses da candidata a vacina contra Covid-19 CoronaVac no Brasil. Os dados de eficácia do potencial imunizante ainda não foram apresentadas, entretanto, e por isso também não há pedido de registro junto à Anvisa.

tagreuters.com2020binary_LYNXMPEGBR0P7-BASEIMAGE

Informamos aos nossos visitantes que nosso site utiliza cookies. Ao usar nosso site, você concorda com nossos Termos de Uso. A maioria dos navegadores aceita cookies automaticamente. Para ver quais cookies utilizamos, acesse nossa Política de Privacidade.