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Bolsonaro defende investimento em cura para Covid-19 em vez de vacinas

Reuters
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Bolsonaro defende investimento em cura para Covid-19 em vez de vacinas
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia na Base Aérea de Brasília

26 de outubro de 2020 - 10:32 - Atualizado em 26 de outubro de 2020 - 10:35

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta segunda-feira que seria mais fácil e barato investir em uma cura para a Covid-19 do que em uma vacina, e voltou a defender o uso de medicamentos sem comprovação científica para combater a doença.

Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que o desenvolvimento de vacinas leva tempo e não há motivo para “correr em cima dessa (contra a Covid-19).”

“Eu dou minha opinião pessoal: não é mais barato e fácil investir na cura que na vacina? Ou jogar nas duas mas também não esquecer a cura?”, defendeu. “Eu sou um exemplo. Eu tomei cloroquina, outros tomaram ivermectina outros tomaram Annita… e pelo que tudo indica todo mundo que tomou precocemente uma das três alternativas aí foi curado.”

Nenhum dos três medicamentos citados pelo presidente têm eficácia comprovada cientificamente contra Covid-19. Annita, nome comercial do vermífugo nitazoxanida –medicamento mais recente a entrar na lista dos indicados por Bolsonaro–, mostrou algum sucesso na redução da carga viral, de acordo com estudo feito no Brasil, mas não teve impacto nos sintomas da doença.

Depois de obrigar o Ministério da Saúde a suspender a compra da vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, com a cooperação do Instituto Butantan, na semana passada, o presidente defendeu, nesta segunda, que o governo não pode correr para comprar uma vacina.

“O que a gente tem que fazer aqui é não querer correr, não querer atropelar, não querer comprar dessa ou daquela sem comprovação ainda”, afirmou.

Apesar das declarações de Bolsonaro desta segunda, o presidente assinou em agosto uma medida provisória que destina 1,9 bilhão de reais para a compra de doses e posterior produção local da potencial vacina contra Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica britânica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Bolsonaro disse ainda que irá conversar nesta segunda com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre as vacinas e sobre o risco de judicialização dessa questão no país. Já foram apresentadas ações no Supremo Tribunal Federal (STF) tanto para que o governo federal seja obrigado a apoiar a compra e a distribuição de quaisquer vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outra que exige a obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19, quando for registrada.

Bolsonaro, assim como o Ministério da Saúde, tem defendido que a vacina não será obrigatória. No sábado, o presidente publicou uma foto ao lado de seu cachorro Faísca, em que dizia: “Vacina obrigatória só aqui no Faísca”.

“Hoje (segunda) vou estar com ministro Pazuello para tratar desse assunto, porque temos uma jornada pela frente onde parece que foi judicializada essa questão e eu entendo que isso não é questão de Justiça, é questão de saúde. Não pode um juiz decidir se você vai ou não tomar vacina, isso não existe”, afirmou.

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