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Bolsonaro chama Barroso de “idiota” e volta a colocar em dúvida realização de eleição

Bolsonaro voltou a afirmar que Brasil não terá eleições em 2022 se a disputa não for “limpa”, ou seja, com voto impresso.

Reuters
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Bolsonaro chama Barroso de “idiota” e volta a colocar em dúvida realização de eleição
Presidente Jair Bolsonaro

9 de julho de 2021 - 18:16 - Atualizado em 9 de julho de 2021 - 18:20

Por Pedro Fonseca

(Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar nesta sexta-feira o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, por ser contra mudança no sistema de votação do país para o voto impresso, chamando-o de “imbecil” e “idiota”, e mais uma vez colocou em dúvida a realização da eleição presidencial do ano que vem.

Bolsonaro tem reiteradamente alegado, sem apresentar qualquer prova, que o sistema atual de votação é passível de fraudes, e afirma que houve fraude nas eleições de 2018 e 2014. O presidente tem afirmado que não aceitará o resultado da eleição do ano que vem se não houver uma mudança que inclua o voto impresso, e também coloca em dúvida até mesmo a realização da votação.

“Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar, no voto auditável e confiável. Dessa forma, corremos o risco de não termos eleições no ano que vem, porque é o futuro de vocês que está em jogo”, disse Bolsonaro a apoiadores no Palácio da Alvorada, afirmando que as fraudes aconteceriam dentro do TSE.

“Eles não querem o voto auditável. Se nós queremos uma maneira a mais de mostrar transparência, por que o Barroso é contra? Ministro do Supremo Tribunal Federal? Uma vergonha um cara desses estar lá”, acrescentou.

Bolsonaro criticou a afirmação de Barroso, que também é ministro do STF, de que o voto impresso auditável poderia ferir o sigilo do voto.

“É uma resposta de um imbecil, eu lamento falar isso de uma autoridade do Supremo Tribunal Federal. Só um idiota para falar isso. O que está em jogo é o nosso futuro, a nossa vida, não pode um homem decidir o futuro do Brasil na fraude”, afirmou.

“Nós não podemos esperar acontecer as coisas para tomar providências. Recado para os brasileiros, lutem pela sua liberdade”, disse.

Em nota em resposta às declarações de Bolsonaro, o TSE disse que as falas do presidente foram “lamentáveis quanto à forma e ao conteúdo”, e acrescentou que qualquer atuação no sentido de impedir a votação viola princípios constitucionais e configura crime de responsabilidade.

“A realização de eleições, na data prevista na Constituição, é pressuposto do regime democrático. Qualquer atuação no sentido de impedir a sua ocorrência viola princípios constitucionais e configura crime de responsabilidade”, disse.

O TSE afirmou, ainda, que desde a implantação das urnas eletrônicas em 1996 jamais se documentou qualquer episódio de fraude. “A acusação leviana de fraude no processo eleitoral é ofensiva a todos”, afirmou.

Em entrevista coletiva também nesta sexta, o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), garantiu a realização das eleições no ano que vem.

“As eleições acontecerão porque isso é um comando constitucional. Há uma imposição de eleições periódicas, de sufrágio universal, de voto direto e secreto. E nós não podemos tirar do povo brasileiro o seu direito mais sagrado e mais soberano que é o direito de escolher os seus representantes. É simples assim”, disse Pacheco.

Ele também criticou os ataques de Bolsonaro a Barroso.

“Definitivamente não concordo com esse formato, não concordo com esse método, tampouco concordo em ataques pessoais a autoridades públicas ou a qualquer cidadão”, afirmou.

“Eu considero que a divergência de ideias deve ser discutida no campo das ideias, da tese, e não das pessoas. Portanto, eu me solidarizo com o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e discordo de qualquer ataque pejorativo que seja feito a ele ou a qualquer cidadão brasileiro nesse tom.”

Apesar da insistência de Bolsonaro para a adoção da impressão do voto das urnas eletrônicas, a proposta não tem tido amplo apoio no Congresso –inclusive de partidos da sua base.

Bolsonaro, que segundo as pesquisas seria derrotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do ano que vem, já havia afirmado na véspera que o Brasil não terá eleições em 2022 se a disputa não for “limpa”.

(Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

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