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Bolsonaro ataca Barroso por CPI da Covid e diz que falta coragem moral ao ministro do STF

Reuters
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Bolsonaro ataca Barroso por CPI da Covid e diz que falta coragem moral ao ministro do STF
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia em Brasília

9 de abril de 2021 - 10:47 - Atualizado em 9 de abril de 2021 - 10:50

SÃO PAULO (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro partiu para o ataque contra Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, nesta sexta-feira por causa da decisão do ministro do STF de determinar a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, ao afirmar que falta “coragem moral” a Barroso e que ele fez “politicalha” ao determinar a abertura da CPI.

Bolsonaro criticou o fato de a comissão se concentrar na apuração de eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia e desafiou Barroso a determinar que o Senado abra processos de impeachment pedidos contra alguns ministros do STF.

“É uma jogadinha casada, Barroso e bancada de esquerda no Senado para desgastar o governo. Eles não querem saber o que aconteceu com os bilhões desviados por alguns governadores e alguns poucos prefeitos também”, disse Bolsonaro, sem citar quem teria praticado desvios, em conversa com apoiadores do lado de fora do Palácio da Alvorada, divulgada em vídeo publicado nas redes sociais.

“Lá dentro do Senado tem processo de impeachment contra ministro do Supremo Tribunal Federal. Eu quero saber se o Barroso vai ter coragem moral de mandar instalar esse processo de impeachment também. Pelo que me parece, falta coragem moral para o Barroso e sobra ativismo judicial”, disparou.

Bolsonaro fez insinuações em relação a Barroso, ao afirmar que conhece o passado do ministro e como ele chegou ao STF. Também o atacou por, antes de ser indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff a uma cadeira no Supremo, ter atuado na defesa do ex-guerrilheiro italiano Cesare Battisti na corte.

“Barroso, nós conhecemos teu passado, tua vida, o que você sempre defendeu, como chegou ao Supremo Tribunal Federal, inclusive defendendo o terrorista Cesare Battisti, então use a sua caneta para boas ações em defesa da vida e do povo do Brasil e não politicalha dentro do Senado Federal”, atacou.

“Se tiver moral, um pingo de moral, ministro Barroso, mande abrir processo de impeachment contra alguns de seus companheiros de Supremo Tribunal Federal.”

Na noite da véspera, em tom menos agressivo, Bolsonaro acusou o STF de interferir em outros Poderes após a decisão de Barroso, que foi uma resposta a uma ação movida pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO).

Na liminar, o ministro destacou que a Constituição estabelece que as CPIs devem ser instaladas sempre que três requisitos forem preenchidos: assinatura de um terço dos integrantes da Casa, indicação de fato determinado a ser apurado e definição de prazo certo para duração. Segundo Barroso, não caberia ao presidente do Senado instalar a CPI conforme a sua conveniência.

Apesar da cobrança de Bolsonaro para que Barroso determine a abertura de processo de impeachment contra colegas, um ministro do Supremo não pode tomar decisões sem que tenha sido provocado por uma ação movida junto à corte, como foi o caso do pedido feitos pelos senadores do Cidadania no caso da CPI da Covid.

Procurada, a assessoria de imprensa do STF disse que, por ora, não há comentários nem da corte nem de Barroso às declarações de Bolsonaro.

(Reportagem de Eduardo Simões; Edição de Alexandre Caverni)

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