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Bolsonaro ataca Barroso e volta a dizer que pode não aceitar resultado sem voto impresso

Reuters
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Bolsonaro ataca Barroso e volta a dizer que pode não aceitar resultado sem voto impresso
Presidente Jair Bolsonaro

7 de julho de 2021 - 19:04 - Atualizado em 7 de julho de 2021 - 19:05

Por Maria Carolina Marcello e Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro voltou sua mira ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, atacou o ministro acusando-o de ter interesses pessoais ao se posicionar contra o voto impresso e voltou a dizer que pode não aceitar os resultados das próximas eleições.

Sem apresentar provas, o presidente reclamou da interlocução entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com lideranças partidárias sobre a discussão do voto impresso. Para ele, tais negociações configuram “interferência absurda”.

“Quando você vê o ministro Barroso ir ao Parlamento brasileiro negociar com lideranças partidárias para que o voto impresso –ou auditável– não fosse votado na comissão… o que ele quer com isso, no meu entender? E vai ser comprovado nos próximos dias, vai ser comprovado da minha parte: fraude nas eleições”, disse o presidente em entrevista à Rádio Guaíba.

“Por que o Barroso não quer mais transparência nas eleições? Porque tem interesse pessoal nisso. Ele está se envolvendo numa causa como essa e interferindo no Legislativo, isso é concreto”, acusou Bolsonaro.

O presidente voltou a dizer que pode haver problemas nas eleições de 2022 caso não haja o voto impresso e também o que chamou de “contagem pública”.

Segundo ele, caso seja mantida a eleição por meio da urna eletrônica como é realizada atualmente, “eles vão ter problema porque algum lado pode não aceitar o resultado; esse algum lado, obviamente que é o nosso lado, pode não aceitar esse resultado”.

Sem mencionar diretamente Barroso, Bolsonaro insinuou, ainda, que as negociações entre Supremo e Congresso sobre voto impresso estejam sendo estabelecidas em troca do arquivamento de inquéritos contra parlamentares.

“E o Supremo agora, não o Supremo, mas um ministro pelo menos, talvez, talvez, esteja negociando isso com alguns partidos políticos: ‘olha, vamos arquivar seus processos aqui, vamos dar um tempo, e você não aprova o voto impresso’”, disse, na entrevista de aproximadamente 1 hora.

Em diversas ocasiões o presidente redobrou a carga contra Barroso referindo-se a ele como “um péssimo ministro”. Ainda na linha de descredenciar o ministro do Supremo, Bolsonaro afirmou que Barroso “quer destruir a nossa democracia”.

“O que alguns do Supremo fazem, é um absurdo”, atacou. “Um ministro como o Barroso, pelo amor de Deus, o que esse cara faz no Supremo Tribunal Federal?”

Barroso, de fato, tem se posicionado contra a adoção do voto impresso e defende, assim como outros integrantes da corte, a lisura da votação por meio das urnas eletrônicas. Segundo ele, o atual sistema é seguro e “totalmente transparente”.

Em audiência pública no Senado que discute mudanças na legislação eleitoral na segunda-feira, o presidente do TSE disse que há um discurso para tirar a credibilidade de algo que sempre funcionou bem, “como se pudesse haver um grande esquema de fraude conduzido pelo TSE” e que “teria que ser uma conspiração de milhares de pessoas”.

Barroso disse ainda que eventual adoção da impressão do voto em urnas eletrônicas obrigaria uma logística de transporte de 150 milhões de cédulas em um país onde é usual o roubo de carga e a atividade de milícias.

A eventual adoção do voto impresso em discussão no Congresso Nacional tem enfrentado resistências de partidos políticos, inclusive aliados do governo.

Em nota à imprensa, o STF afirmou que a “liberdade de expressão, assegurada pela Constituição a qualquer brasileiro, deve conviver com o respeito às instituições e à honra de seus integrantes, como decorrência imediata da harmonia e da independência entre os Poderes”.

“O STF rejeita posicionamentos que extrapolam a crítica construtiva e questionam indevidamente a idoneidade das juízas e dos juízes da corte”, acrescenta a nota do STF.

Procurada, a assessoria de Barroso afirmou que o ministro estava em um compromisso acadêmico no exterior e teria pedido para “não ser incomodado com mentiras e miudezas”.

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