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Dona de pousada insistiu para bailarina encontrada morta não acampar sozinha

Segundo o relato da última pessoa a falar com Maria Glória Poltronieri Borges, o crime ocorreu na tarde de sábado (25); assista!

Caroline
Caroline Berticelli / Editora com reportagem de Evandro Mandadori da RIC Record TV, Maringá
Dona de pousada insistiu para bailarina encontrada morta não acampar sozinha
MARIA DA GLÓRIA FOI MORTA POR ASFIXIA. (FOTO: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM MAGODANCANTE)

28 de janeiro de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 16:14

A dona de uma pousada que fica nas proximidades da cachoeira onde a bailarina Maria Glória Poltronieri Borges, de 25 anos, foi encontrada morta no início da noite deste domingo (26) em Mandaguari, no norte do Paraná, conversou com a equipe da RIC Record TV Maringá e contou que insistiu para a jovem não acampar sozinha na beira do rio. (Assista a entrevista completa abaixo)

Segundo Lindalva dos Santos, a vítima chegou na chácara com a mãe, no início da tarde de sábado (25), e logo as duas foram informadas de que não havia vaga disponível na pousada. Isso porque todas estavam ocupadas por uma equipe da Defesa Civil que fazia um treinamento no local.

No entanto, diante da insistência das duas, Lindalva acabou cedendo um lugar dentro do seu próprio quintal.

“Pegamos todos os pertences dela e deixamos ali no banheiro da minha piscina, dali nós voltamos as três e eu fiquei dando conta das minhas atividades. Ela ficou mais ou menos uma meia hora ali com a mãe dela, as duas entre abraços e beijos”, conta. 

Magó sumiu na tarde de sábado

Ainda conforme a testemunha, assim que a mãe foi embora, Maria Glória disse que iria dar uma volta perto do rio. Ela voltou aproximadamente às 15h20, pediu água, retornou para a mata e, por volta das 16h30, declarou que iria acampar sozinha na beira do rio. Lindalva ressalta emocionada que tentou dissuadir a bailarina, mas ela estava decidida: 

“Ela disse ‘Eu desci lá aquela hora, eu já fiz minha fogueirinha, já arrumei minhas madeirinhas, e já vou descer e vou levar os meus pertences [na margem do rio]. Eu falei ‘Você não vai ficar lá, eu falei com a sua mãe que você ficar aqui no pátio meu, você não vai ficar pra lá’. Ela falou ‘mas eu vou pegar os meus pertences e eu vou’. Eu falei ‘não faça isso. fica aqui comigo. eu falei ‘eu não vou deixar você pegar’. ela falou ‘os pertences são meus’. então, Ela pegou e desceu. foi a última vez que eu vi ela, às 16h30 da tarde” 

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O corpo da bailarina estava em uma trilha a cerca de 30 metros da cachoeira. (FOTO: REPRODUÇÃO/RIC RECORD TV)

Contudo, a bailarina não chegou a acampar. De acordo com Lindalva, ainda na tarde de sábado, um dos participantes do treinamento da Defesa Civil informou que a barraca da jovem estava jogada perto de um portão.

“Ele falou ‘Dona Lindalva, e a moça loira?’, eu falei ‘ela desceu pra ver a atividade de vocês’. Aí, ele falou ‘ a barraca dela tá jogada lá perto do portão’. Nisso já estava escurecendo, já era seis e pouco tá tarde”, lembra. 

Na sequência, com ajuda de outras pessoas que estavam no local, Lindalva foi até lá e buscou todos os pertences de Magó, e, assustada, abriu a mochila da jovem para tentar descobrir o contato de algum familiar.

“Eu trouxe toda a barraca dela pra cima, ela não armou barraca. Abri a mochila, peguei o celular mas estava sem bateria”. 

Familiares encontram a bailarina

Já na tarde de domingo (26), a mãe, a irmã e o cunhado de Maria Glória foram até a pousada para buscá-la, mas depois de ouvirem o relato de Lindalva, decidiram procurar pela jovem perto do rio.

“A partir das 13h30, a mãe chegou no meu portão. eu tava transtornada, eu falei ‘graças a Deus que a senhora chegou’ e as lágrimas caindo. ‘Dona desde as 16h30 do sábado, eu estou aflita com a sua filha. ela desceu e não voltou, já vasculhamos mata, os bombeiros já estavam vasculhando”.

Após cerca de meia hora, o corpo foi localizado pelos familiares em uma trilha a cerca de 30 metros da cachoeira onde a vítima queria acampar.

Assista à entrevista completa: 

Finalizado segundo dia de depoimentos

Nesta terça-feira (28) foram ouvidos depoimentos de mais pessoas próximas de Magó. Pela manhã, o namorado e amigos conversaram com a Polícia Civil, já na parte da tarde, enquanto a mãe era ouvida, houve queda de energia e os depoimentos foram transferidos para Jardim Alvorada.

Na sede do terceiro distrito foram ouvidos três familiares. A Polícia Civil informou que ainda não recebeu o laudo do Instituto Médico Legal (IML) e novos depoimentos serão prestados nos próximos dias.

O crime

A jovem conhecida como Magó foi encontrada morta com sinais de violência sexual, uma peça íntima enrolada no pescoço e com marcas de esganadura. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) que apurou a causa mortis como asfixia. Porém, a Polícia Civil espera o laudo médico para confirmar a suspeita do abuso sexual.

“Não descartamos um crime de violência sexual, mas precisamos do laudo pra poder ter certeza”, explica o delegado Neri Zoroastro.

O caso é investigado por uma força-tarefa das Polícias Civis de Mandaguari e Maringá.