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Áudios entre presidiários revelam esquema de compra de celulares e drogas dentro de cadeias da RMC

A produção da RIC Record TV entrou em contato com a SESP, mas até o momento  nenhuma resposta foi enviada

Renata
Renata Nicolli Nasrala / Editora
Áudios entre presidiários revelam esquema de compra de celulares e drogas dentro de cadeias da RMC
Foto: reprodução RIC Record TV

5 de fevereiro de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:53

Mensagens enviadas exclusivamente à RIC Record TV revelam um forte esquema de presidiários na compra de celulares e drogas dentro da Casa de Custódia de Piraquara e a Delegacia de Colombo, ambas na região metropolitana de Curitiba.

De acordo com fontes que preferiram ter a identidade preservada, os áudios revelam conversas entre os presos dos complexos, que contam com a ajuda de agentes penitenciários para realizarem os esquemas.

Veja os áudios trocados entre presidiários dentro das cadeias

Para manterem contato, os presidiários utilizam de um famoso aplicativo de conversa. Em um dos áudios enviados a nossa equipe, um dos presos dá dicas de como o ‘amigo’ pode identificar quais agentes são corruptos.

Abaixo, leia a transcrição exata dos áudios trocados entre os presos (a escrita segue a linguagem usada pelos indivíduos):

presidiarios audios

Foto: reprodução RIC Record TV

“Eu to ligado, eu to ligado piá, na mão que eu tava aí também piá, tá ligado? Só tinha dois telefones quando eu tava ai também. Tava mó laje. Daí nós conseguimos desembolar ali com o guarda pra passar pra dentro ali mano. (…) Não sei se o funcionário (…) ta aí ainda, esse cara ai é ponta, esse louco ai. Ele que trazia os malotes pra nois aí. Se ele tiver ai ainda dá pra nois faze uma conexão que eu sei onde esse cara para, nois acelera ele pra ele leva umas fita ai” (sic).

Em seguida, a conversa dá mais detalhes de como a entrega da droga e dos telefones são feitas. Todas contam com a ajuda de familiares e agentes.

“Dois conto. Dois ape tá ligado? Milão cada um. Marcava um encontro tudo com a família pá e pegava o ape. Sem nada de drogas tá ligado. Ou se não só no arremesso. Tá ligado? No solário ai. Antigamente nois fazia pelo três também. Três da AB ai. Trazia pelo cano” (SIC)

Em outra mensagem, o preso afirma que um dos agentes que colabora com o esquema é baixinho e está sempre de boné.

“Ele trazia pra nois ali piá. Trazia os malotes fechados. Era cinco conto os moleto dele. Mas vinha cinco telefone, 200g de maconha, tá ligado piá? E era cantante e pá mano. Dá umas se informada aí, é pra ele tá ai”. (sic)

Agentes são investigados pelo setor de inteligência do Depen

No momento, os dois agentes citados nos áudios são investigados pelo setor de inteligência do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), que tomou conhecimento do caso recentemente.

De acordo com informações preliminares, um dos homens está em escala de trabalho normal, e o outro está afastado por atestado médico há 15 dias.

Em um áudio enviado por um agente de cadeia que trabalha há dez anos no meio, o processo de contratação dos profissionais está cada vez mais falho, o que permite que indivíduos envolvidos em fortes esquemas e crimes integrem o interior dos presídios.

prisão

A venda de serras, celulares, armas e a facilitação de fugas são apenas alguns itens realizados pelos profissionais contratados. “O problema do celular dentro da cadeia é que mata gente aqui fora”.

Segundo o homem, não existe comunicação entre os estados, e na contratação não é feito investigação de conduta.

“Se a pessoa foi presa… se tem antecedentes criminais… Tanto que conheço agente que é batizado no PCC. (…). Na cadeia quando nós pegamos alguma fuga ou algo assim, não é porque temos bola mágica. Sempre tem um preso que conta as coisas pra nós”.

Além disso, o agente enfatiza que há profissionais respondendo por facilitação de fuga e tráfico de drogas. “A única coisa que o Depen faz é movimentar esse agente pra outra unidade, entende? O agente não responde processo disciplinar. Ele só muda de unidade”.

O que diz a SESP

Em nota, o núcleo de comunicação da Secretaria da Segurança Pública informou que o caso será apurado pela Corregedoria do Depen. Veja na íntegra:

“O Departamento Penitenciário do Paraná esclarece que esta é uma unidade de administração compartilhada com a Polícia Civil e que o caso será apurado pela Corregedoria do Depen e também deve ser instaurado um inquérito policial, para que os envolvidos sejam identificados e, uma vez comprovado, condenados.

A Secretaria de Segurança Pública tem como premissa determinar a apuração de todo e qualquer caso que chegue por meio dos canais oficiais ao conhecimento das instituições vinculadas, pois não compactua com condutas irregulares de nenhum integrante das forças ou qualquer órgão ligado à Pasta. A SESP ressalta que é importante a colaboração da população, para que toda informação sobre atos irregulares de seus servidores sejam denunciados às corregedorias ou anonimamente pelo Disque Denúncia 181.”

Nota da Secretaria de Segurança Pública do Paraná

Pela manhã, a produção da RIC Record TV entrou em contato com a SESP, mas até o momento  nenhuma resposta foi enviada.

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