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Atual sistema de votação é plenamente auditável, diz ministro do TCU; pedido de vista adia julgamento

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Atual sistema de votação é plenamente auditável, diz ministro do TCU; pedido de vista adia julgamento
Funcionária da Justiça Eleitoral prepara urna eletrônica para eleição de 2018

11 de agosto de 2021 - 19:22 - Atualizado em 11 de agosto de 2021 - 19:25

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) – O resultado de uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) permite concluir que o atual sistema de votação eletrônica do país é plenamente auditável, disse nesta quarta-feira o ministro da corte Bruno Dantas ao apresentar voto em julgamento da corte, que acabou suspenso por um pedido de vista.

O pedido de vista foi feito pelo ministro Jorge Oliveira, indicado para o TCU pelo presidente Jair Bolsonaro, que é um crítico ferrenho do atual sistema de votação e defende uma mudança que agregue o voto impresso. A proposta de mudança, no entanto, foi rejeitada na véspera em votação na Câmara dos Deputados.

Com o pedido de vistas, o julgamento no TCU fica interrompido por um prazo máximo de 60 dias.

Relator do processo no tribunal sobre o sistema eletrônico de votação, o ministro Dantas disse que a adoção de um mecanismo de impressão de células físicas pelas urnas eletrônicas aumenta a participação humana e deixa o sistema mais vulnerável a fraudes, em linha com o que é afirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo Dantas, partidos políticos e coligações, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Ministério Público, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF), a Controladoria-Geral da União (CGU), a Polícia Federal, as Forças Armadas e o próprio TCU, além de outras entidades, podem acompanhar todas as etapas de auditoria do sistema.

A apresentação da auditoria no TCU ocorreu um dia após a Câmara dos Deputados rejeitar a PEC do voto impresso, em uma derrota para Bolsonaro em uma matéria que gerou polêmica e uma crise institucional entre os Poderes da República.

Bolsonaro alega fraudes nas eleições desde março de 2020, quando prometeu mostrar provas de que teria vencido a disputa presidencial de 2018 no primeiro turno, o que não fez.

O presidente chegou inclusive a colocar em dúvida a realização da eleição do ano que vem sem a aprovação do voto impresso, o que gerou reações do Congresso e do Judiciário.

Apesar das afirmações do presidente, não há provas de fraudes envolvendo as urnas eletrônicas.

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