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Assalto no Paraguai: quadrilha leva US$ 40 mi de transportadora

Redação RIC Mais
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24 de abril de 2017 - 00:00 - Atualizado em 24 de abril de 2017 - 00:00

Os criminosos usaram explosivos durante o assalto e trocaram tiros com os policias na fuga. (Foto: Mariana Ladaga/Facebook@cdehott)

Assalto cinematográfico deixou rastro de destruição e pode ter sido cometido por facção criminosa do Brasil

*Com informações do repórter Fidel Alvarenga, da RICTV Oeste

Um roubo milionário a uma transportadora de valores deixou um rastro de destruição em Ciudad del Este, município paraguaio vizinho de Foz do Iguaçu (PR), na madrugada desta segunda-feira (24). Um agente do Grupo Especial de Operações (GEO) da Polícia Nacional do Paraguai morreu e quatro pessoas ficaram feridas.

Segundo a polícia paraguaia, uma quadrilha formada por cerca de 60 pessoas teriam participado da ação, que ocorreu por volta da 1 hora da madrugada. Fortemente armados, os criminosos entraram no prédio da empresa Prossegur, no Bairro Área 2, de onde teriam levado cerca de US$ 40 milhões, o equivalente a R$ 125 milhões.

Os assaltantes estavam armados com fuzil 762 e metralhadora ponto 50, muitas cápsulas ficaram pelo chão. Eles também usaram dinamites para fazer um buraco e entrar no prédio. O impacto foi tão forte que uma marquise inteira foi parar no meio da rua, destruindo um carro que estava estacionado.

Os bandidos queimaram 13 carros, posicionados em ruas que davam acesso à transportadora, para dificultar a chegada da polícia. O chefe policial explicou que os suspeitos “primeiramente ativaram de maneira simultânea todas as bombas nos veículos que foram abandonados em diversos pontos da cidade. Em seguida, assassinaram o policial e explodiram as bombas dentro do edifício, que literalmente voou em pedaços”. 

Confira o rastro de destruição deixado pelos assaltantes:

Vizinhança em pânico

Tiros e explosões foram ouvidos a vários quilômetros de distância e registrados por alguns vizinhos da transportadora (como no vídeo abaixo). A onda de impacto das bombas fez com que uma casa tremesse durante a madrugada. Praticamente todos os vidros foram quebrados, o teto cedeu e móveis ficaram quebrados. O casal de idosos que mora na residência estava acordado na hora em que a primeira bomba explodiu.

“Nós decidimos subir e nos esconder debaixo de uma cama, os dois abraçados. Nesse momento eu disse a minha esposa: Vamos ter fé em Deus e se tivermos que morrer, vamos morrer os dois juntos”, relatou Alejandro Anisimoff, 74 anos, à equipe da RICTV Oeste.

Fuga e buscas

De acordo com o jornal paraguaio ABC Color, este é possivelmente o maior assalto já ocorrido no país. A ação está sendo atribuído a uma organização criminosa que atua dentro e fora de presídios brasileiros. No local do crime, testemunhas ouviram os suspeitos conversarem entre si em português. Eles teriam fugido para Hernandarias, cidade vizinha de onde aconteceu o assalto.. Pelo menos 5 carros usados pelos bandidos, alguns blindados, foram encontrados pelas redondezas.

O chefe da divisão de homicídios da polícia de Ciudad del Este, comissário Richard Vera, vinculou o assalto à detenção, há poucos dias, no Paraguai, de um dos criminosos mais procurados no Brasil, conhecido como “Robertinho”, que era o número dois da estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O governador do departamento paraguaio de Alto Paraná, Justo Zacarías Irún, informou que o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, ligou para ele nesta madrugada e ordenou que as Forças Armadas apoiem as ações da Polícia. “O presidente (Cartes) me ligou por volta de 1h40 [2h40 no horário de Brasília]. Ele determinou o apoio das Forças Armadas”, declarou à rádio ABC Cardinal.

O ministro do Interior, Lorenzo Lezcano, afirmou que já tinha informações sobre um assalto que estava para acontecer em Ciudad del Este, mas “não sabiam a hora, o lugar ou a dimensão”. “Em fevereiro já havíamos emitido um alerta”, disse Lezcano à rádio ABC Cardinal.

No Brasil, a Polícia Federal (PF) intensificou o patrulhamento na fronteira. Desde que receberam a informação sobre a ocorrência, mais de 40 agentes da PF trabalham, tanto na Ponte da Amizade quanto em embarcações no Rio Paraná, para tentar capturar criminosos que tentem entrar fugir para o país.

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