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Araucária, árvore símbolo do Paraná, pode ser extinta

Presente na região Sul e em áreas elevadas do Sudeste, a Araucária tem influência cultural por causa de sua semente: o pinhão, que faz parte da culinária em festividades juninas

Carol
Carol Machado da equipe de estágio RIC Mais, sob supervisão de Larissa Ilaídes
Araucária, árvore símbolo do Paraná, pode ser extinta
Imagem: Pixabay

25 de junho de 2020 - 11:48 - Atualizado em 25 de junho de 2020 - 11:52

A Araucária, é uma árvore ancestral do Brasil, mas que corre grandes riscos de extinção em razão do desmatamento e dos efeitos das mudanças climáticas.

A Araucária é uma árvore encontrada majoritariamente na região Sul do País, em um ecossistema da Mata Atlântica conhecido como Floresta Ombrófila Mista. É a árvore-símbolo do Paraná, por isso também chamada de pinheiro-do-paraná, estado que, originalmente, concentrava a maior parte do ecossistema que abriga a espécie.

De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, em 2019, o desmatamento no bioma cresceu 27,2%, perdendo um total de 14.500 hectares de floresta.

Desse total, cerca de 24% foram nos estados do Paraná e de Santa Catarina, onde a madeira da Araucária ainda é usada ilegalmente para, por exemplo, abastecer de tábuas a construção civil.

“Estima-se que hoje a Floresta com Araucárias ocupe menos de 3% de sua área original, o que a coloca em grande risco de ser extinta nas próximas décadas se não houver uma mudança por parte dos proprietários rurais, da iniciativa privada e do poder público na forma como exploram e cuidam desse que é um dos mais emblemáticos e ameaçados ambientes naturais do Brasil. Lembrando que o que está em jogo não é apenas uma espécie, mas todo um ecossistema com uma grande diversidade de plantas, como imbuias e canelas, e animais, como o papagaio-de-peito-roxo”, afirma Guilherme Karam, coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

A preocupação com a situação das araucárias não é exagero. Em 2019, um artigo publicado na revista científica Global Change Biology ficou famoso por prever o fim das araucárias até 2070 se nenhuma estratégia de conservação for posta em prática para reverter o ritmo de destruição.

O estudo, com participação de cientistas britânicos e brasileiros, explica que depois de sofrer ao longo do século 20 com o desmatamento descontrolado promovido por interesses econômicos, o ecossistema tem agora um cenário igualmente grave para o século 21: o aquecimento global.

“A floresta ombrófila mista ocupa os extremos mais altos e frios da Mata Atlântica (temperatura anual média de 12-20 ºC, com frequentes geadas), condições que provavelmente serão cada vez mais raras no futuro próximo”, dizem os pesquisadores.

Por estar geograficamente localizada no Sul e em alguns pontos mais elevados do Sudeste brasileiro (além de pequenos trechos da Argentina e do Paraguai), a Araucária tem influência cultural nessa região por causa de sua semente: o pinhão, presença garantida em festividades juninas e comum nos cardápios de restaurantes e celebrações culinárias durante os meses de inverno.

Famosa por sua copa em formato de candelabro, a Araucária pode chegar a 50 metros de altura e tem sua origem no período Jurássico de formação da Terra.

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