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Após eleição atípica até na apuração, SP e Rio terão 2º turno, em Recife duelo será familiar

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Após eleição atípica até na apuração, SP e Rio terão 2º turno, em Recife duelo será familiar
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15 de novembro de 2020 - 22:51 - Atualizado em 15 de novembro de 2020 - 23:00

Por Eduardo Simões e Maria Carolina Marcello e Rodrigo Viga Gaier

(Reuters) – Os resultados das urnas que encerram o primeiro turno da eleição municipal neste domingo são a conclusão da primeira etapa de um pleito marcado pela excepcionalidade desde seu adiamento em mais de um mês por causa da pandemia, até a apuração dos votos, muito mais lenta do que o histórico das eleições com urna eletrônica no Brasil por causa, segundo o TSE, de um problema técnico inesperado na totalização dos votos.

As duas maiores cidades do país –São Paulo e Rio de Janeiro– terão segundo turno em duas semanas, no dia 29 de novembro.

Na capital paulista, Guilherme Boulos (PSOL) venceu a disputa por uma vaga na rodada decisiva e duelará com o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB). No Rio, o candidato à reeleição, Marcelo Crivella (Republicanos) também deixou os rivais para trás e conseguiu chegar ao segundo turno contra Eduardo Paes (DEM).

Embora ainda longe do final da apuração, os resultados parciais confirmavam as pesquisas de boca de urna que apontavam para segundo turno nessas duas capitais, assim como em Recife.

Na capital Pernambucana, o duelo será familiar: João Campos (PSB), filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes, e Marília Arraes (PT), neta de Miguel Arraes.

Em outra grande capital nordestina, Fortaleza, a apuração estava praticamente concluída e, no dia 29, José Sarto (PDT) enfrentará Capitão Wagner (Pros).

Em Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD) foi reeleito e, em Salvador, Bruno Reis (DEM) venceu já neste domingo.

As urnas fecharam no final da tarde e os eleitores passaram a aguardar os resultados. Mas, ao contrário do histórico das eleições brasileiras desde o advento da urna eletrônica, a divulgação dos números está sendo lenta. Em São Paulo, por exemplo, a apuração ficou por horas parada em 0,39% das seções eleitorais.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, disse que a lentidão foi consequência em uma falha técnica no processador de um computador que totaliza os votos. Ele descartou que o problema possa gerar questionamentos quanto à confiabilidade dos resultados das urnas.

“Houve um atraso na totalização dos resultados por força de um problema técnico que foi exatamente o seguinte: um dos núcleos de processadores do supercomputador que processa a totalização falhou e foi preciso repará-lo. Essa é a razão técnica pela qual houve o atraso”, disse Barroso em entrevista coletiva.

“Eu lamento que tenha acontecido… foi um pequeno acidente de percurso, sem nenhuma vítima, salvo um atraso na divulgação final do resultado”, acrescentou pouco depois.

O pleito transcorreu com tranquilidade ao longo deste domingo nas principais cidades do país, inclusive em relação aos protocolos sanitários para frear a disseminação do coronavírus. Seções eleitorais forneceram álcool em gel para os eleitores, que também foram aconselhados a levar suas próprias canetas para assinar o caderno de votação.

Mais cedo, Barroso disse que a Justiça Eleitoral frustrou uma tentativa de ataque cibernético, sem repercussões para o processo eleitoral.

O presidente do TSE reconheceu, por outro lado, que a Covid-19, que já matou mais de 165 mil pessoas no Brasil, poderia afetar o nível histórico de abstenções, em torno de 20%.

No Rio de Janeiro, a dona de casa Maria Fonseca, que é idosa, chegou a ir ao local de votação, mas acabou desistindo de votar.

“Estava muito confuso na minha seção e fiquei com medo da Covid. Voltei pra casa para não correr risco”, disse ela à Reuters.

“VOLTANDO AO TAMANHO NORMAL”

O presidente Jair Bolsonaro, que na última semana fez transmissões ao vivo pela internet quase diárias para declarar apoio a candidatos a prefeitos e vereadores, votou pela manhã no Rio de Janeiro, debaixo de um forte esquema de segurança.

Ele chegou ao local de votação pouco depois das 10h e foi recepcionado por eleitores que o aguardavam. Bolsonaro deixou o local sem dar entrevistas e deveria acompanhar a apuração em Brasília.

Com alguns de seus apoiados tendo desempenho ruim nas urnas –casos de Celso Russomanno (Republicanos), em São Paulo, e de Delegada Patrícia (Podemos), no Recife–, Bolsonaro corria o risco de ver sua força como cabo eleitoral colocada em xeque nesta eleição.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não perdeu a oportunidade para fazer uma rápida análise desse cenário.

“Havia em 2018 um sentimento que ele (Bolsonaro) acabou representando, mas não necessariamente era a base dele”, disse Maia a jornalistas, após votar em uma escola na zona oeste do Rio de Janeiro.

“A base dele sempre foi até o momento da facada e até o voto útil, um candidato de 18%, 20%. A avaliação positiva era perto disso com 23%, 24% de ótimo e bom“, acrescentou o deputado. “Eu acho que agora representa o tamanho do núcleo dele que era muito menor que os 46% de intenção de voto que ele teve, ele está voltando ao tamanho normal e a influência é menor, especialmente nas capitais onde a cobrança é muito maior do que nos municípios do interior.”

Mas se Russomanno e a Delegada Patrícia ficaram longe de uma vaga no segundo turno, Crivella, no Rio, e Capitão Wagner, em Fortaleza, que também receberam o endosso do presidente, foram à etapa decisiva.

Devido à campanha mais curta, ao contrário do que aconteceu no pleito municipal de 2016 e nas eleições para presidente e governadores de 2018, os eleitores não deram grande espaço para nomes pouco conhecidos, os chamados outsiders.

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