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Ambos lados alegam vitória em conflito na Etiópia; grupo de Tigré é acusado de massacre

Reuters
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Ambos lados alegam vitória em conflito na Etiópia; grupo de Tigré é acusado de massacre
Refugiados etíopes do conflito em Tigré na região de fronteira entre Etiópia e Sudão

24 de novembro de 2020 - 12:03 - Atualizado em 24 de novembro de 2020 - 12:05

ADIS-ABEBA/NAIRÓBI (Reuters) – O grupo de direitos humanos indicado pelo governo da Etiópia acusou um grupo da juventude de Tigré nesta terça-feira de massacrar centenas de civis enquanto as forças federais e locais alegavam avanços em um confronto de três semanas no montanhoso norte do país.

O governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed afirmou que soldados inimigos estão se rendendo diante de seu avanço rumo à capital regional, mas as forças locais relataram que estão resistindo e que destruíram uma divisão prestigiosa do Exército.

A Comissão de Direitos Humanos da Etiópia publicou as conclusões a respeito de um ataque em 9 de novembro em Mai Kadra, no estado de Tigré –relatado pela primeira vez pela Anistia Internacional–, nas quais informou que um grupo de jovens chamado Samri matou pelo menos 600 pessoas dos grupos étnicos minoritários Amhara e Wolkait na cidade.

A Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) não estava disponível de imediato para comentar, mas já negara envolvimento anteriormente.

A Reuters não conseguiu confirmar comunicados de nenhum dos lados, já que os telefones e a internet não estão funcionando em Tigré e o acesso à área é controlado rigorosamente.

Centenas morreram e mais de 41 mil refugiados fugiram para o vizinho Sudão desde o início do confronto. A destruição é generalizada, e pessoas foram expulsas de casa na região de Tigré, no norte do país.

A guerra de três semanas afetou a Eritreia, contra a qual os combatentes de Tigré lançaram foguetes, e também a Somália, onde a Etiópia desarmou várias centenas de nativos de Tigré de uma força pacificadora que combatia militantes ligados à Al Qaeda.

O governo etíope alegou que muitos combatentes de Tigré responderam a um ultimato para deporem as armas antes de uma ofensiva contra a cidade de Mekelle, que tem meio milhão de habitantes. O prazo vence na quarta-feira.

“Usando o período de 72 horas do governo, um número grande de milícias e forças especiais de Tigré está se rendendo”, disse uma força-tarefa do governo.

Experiente em batalhas, a TPLF, que governava a região de 5 milhões de habitantes, deu uma versão diferente, dizendo que suas tropas estão mantendo as forças federais à distância e obtendo grandes vitórias.

Seu porta-voz, Getachew Reda, disse que uma unidade importante do Exército –que ele identificou como a 21ª divisão mecanizada– foi destruída em um ataque a Raya-Wajirat liderado por um ex-comandante da unidade que agora luta pela TPLF.

Billene Seyoum, porta-voz do premiê etíope, negou a afirmação.

Os Estados Unidos –que veem a Etiópia como uma aliada poderosa em uma região turbulenta–, a França e o Reino Unido foram as potências estrangeiras mais recentes a clamar pela paz.

Washington apoiou os esforços de mediação da União Africana (UA) “para encerrar este conflito trágico já”, enquanto Paris e Londres alertaram para a discriminação étnica.

(Da redação de Adis-Abeba, Omar Mohammed, Nazanine Moshiri, Maggie Fick e Katharine Houreld em Nairóbi, Stephanie Nebehay e Emma Farge em Genebra)

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