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Amazônia tem que ser desmistificada, não é a floresta inteira que pega fogo, diz Mourão

Reuters
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Amazônia tem que ser desmistificada, não é a floresta inteira que pega fogo, diz Mourão
Vice-presidente Hamilton Mourão do lado de fora do Palãcio do Planalto

27 de agosto de 2020 - 15:45 - Atualizado em 27 de agosto de 2020 - 15:50

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) – O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nesta quinta-feira que a Amazônia precisa ser desmistificada e que é preciso combater com argumentos a visão que o mundo tem sobre a região, acrescentando que não é a floresta inteira que queima.

Segundo ele, há três grupos de interesse que pressionam e criticam o Brasil por sua política ambiental: a oposição brasileira, os produtores agrícolas europeus e os ativistas do meio ambiente.

“Temos que desmistificar a questão da Amazônia e fazer entender que não existe uma só Amazônia”, disse Mourão em mesa redonda organizada pela Federação das Câmaras de Comércio Exterior em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio de Janeiro, lembrando que há partes da região ocupadas e outras intocadas.

“O nosso dado último aqui, do dia 26 de agosto, é que nós tínhamos até aquele dia 24 mil focos de calor aí na Amazônia. Olha, minha gente, 24 mil focos de calor em 5 milhões de quilômetros quadrados significa que a cada 200 quilômetros quadrados você encontra um foco”, relatou.

Mourão seguiu sua explicação e disse ser “surreal a forma como isso é colocado para as pessoas, como se a floresta inteira estivesse pegando fogo”.

Para ele, os três grupos de pressão sobre o país têm diferentes interesses. A oposição, de questionar de forma “radical” o governo do presidente Jair Bolsonaro. Produtores europeus, de minar o potencial de produção agropecuária do Brasil por não terem “mais condições de competir com a gente”.

“Existe o terceiro grupo, que eu chamo de os bolsões sinceros, porém radicais, que são aqueles ativistas ambientais que acreditam piamente que a Amazônia está sendo destruída e como consequência, isso terá uma influência no clima mundial”, afirmou.

“Nós temos que saber trabalhar e saber contrapor a esses grupos com argumentos, argumentos sólidos”, defendeu.

Mourão, que coordena o Conselho da Amazônia, afirmou que a estratégia do governo passa por demonstrar que não haverá tolerância à ilegalidade, por “deixar clara a verdade”, e pela promoção de um zoneamento econômico e ecológico para a região.

O vice-presidente citou o potencial de aumento de produtividade na área já antropizada da Amazônia, enquanto há potencial para o desenvolvimento de bioeconomia e de manejo florestal controlado em áreas protegidas ou intocadas.

Mourão opinou ainda sobre a Zona Franca de Manaus, deixando claro seu papel “fundamental” nas últimas décadas. Ponderou, no entanto, que há “limite” e que no futuro, à medida que a região se desenvolver e integrar mais ao país, deverá haver um “desmame” dos incentivos fiscais. O vice-presidente fez questão de destacar a importância da iniciativa privada.

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