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Alunas evangélicas são impedidas de frequentar escola usando saias

Redação RIC Mais
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11 de abril de 2017 - 00:00 - Atualizado em 11 de abril de 2017 - 00:00

As saias das estudantes são feitas conforme o uniforme da escola (Foto: RICTV Maringá)

Mães das estudantes denunciaram a escola por intolerância religiosa

Duas estudantes de Maringá, na região noroeste do Paraná, estiveram na delegacia da cidade nesta terça-feira (11), juntamente com as mães e os advogados, para registrar um boletim de ocorrência contra o Colégio Gastão Vidigal, onde elas estudam. As meninas são evangélicas e afirmam que foram impedidas de entrar na escola porque estavam de saia.

De acordo com a família, as adolescentes, de 16 e 17 anos, estudam no colégio há quase três e o uso de saias nunca foi um problema. No entanto, na última sexta-feira (7), a peça de vestuário virou motivo de constrangimento.

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A dona de casa Maria Helena Nascimento de Jesus, mãe de uma das jovens, afirma que a única exigência feita pela escola na hora de matricular a filha, era que a saia mantivesse o mesmo padrão do uniforme, ou seja, que fosse da cor preta e tivesse o brasão do colégio.

A pastora Mônica Góis, mãe da outra estudante, conta que mandou fazer a saia da filha na mesma cor do uniforme, preta com a listra amarela, e que foi colocado o brasão. “Eu tentei argumentar isso. Mas esta senhora (a vice diretora) abusou da autoridade dela e disse que não pertence à minha igreja e que eu não podia estar implantando um ato religioso no colégio. Longe de mim fazer isso, eu estaria fazendo isso se estivesse indo lá pregar a palavra, mas  a minha filha tem o direito de frequentar a escola”, relatou.

De acordo com a estudante de 17 anos, que está no 3º ano do ensino médio, quando ela questionou a vice-diretora da escola sobre o motivo de não poder usar saias, a mulher disse que nunca soube que haviam alunas usando esse tipo de vestimenta no colégio. “Eu falei que uso saia desde sempre e ela disse que estava aconteceu uma negligência na escola, que aquilo era um erro”, conta a aluna.

Segundo a chefe do Núcleo Regional de Educação de Maringá, Maria Inês Teixeira Barbosa, o diretor da escola, Sérgio Martinhago, estava viajando quando o incidente aconteceu. Quem estava respondendo pelo colégio era a vice-diretora, Valdeci Nunes Lima. O caso está sendo apurado pelo Núcleo de Educação.

Além do constrangimento, a adolescente de 16 anos afirma que perdeu duas provas por conta da proibição. “Eu pedi pra minha mãe ligar na escola na sexta-feira pra que eu pudesse pelo menos fazer as provas, mas eles disseram que se eu fosse de saia seria impedida de entrar”, disse.

A pastora Mônica Góis conta que a filha foi retirada de dentro da sala de aula por uma pedagoga. “Ela também tinha prova na sexta e não pôde fazer o teste”, disse a mãe.

Os advogados Willian Francis e Josiane Monteiro Bichet de Oliveira, que representam as famílias, afirmam que a situação atenta contra a Constituição Federal, que trata dos direitos fundamentais da liberdade religiosa e a lei que assegura o direito à educação.

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