Agronegócio

Vendas de etanol no centro-sul crescem com maior competitividade frente gasolina

Reuters
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24 de fevereiro de 2021 - 15:31 - Atualizado em 24 de fevereiro de 2021 - 15:35

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – As vendas de etanol pelas unidades produtoras do centro-sul brasileiro aumentaram pela primeira vez por duas quinzenas seguidas na safra 2020/21, em momento em que o combustível ganha competitividade frente à gasolina apesar da entressafra de cana-de-açúcar, com usinas vendendo seus estoques.

Conforme dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) nesta quarta-feira, as vendas de etanol pelas usinas alcançaram 1,29 bilhão de litros nos primeiros 15 dias de fevereiro, aumento de 5,32% sobre a mesma quinzena de 2020, com o mercado interno absorvendo 98% do volume.

Na segunda quinzena de janeiro, a comercialização do produto já tinha aumentado, no primeiro crescimento quinzenal da safra 2020/21, uma temporada afetada pelos impactos da pandemia.

A competitividade do etanol ocorre em período de firmeza nas cotações internacionais do petróleo Brent, com alta de cerca de 30% no acumulado do ano, o que levou a Petrobras a aumentar o preço médio da gasolina nas suas refinarias em 35%, versus alta de 23,5% do rival etanol hidratado (média Cepea nas usinas de São Paulo).

“Na primeira quinzena de fevereiro entregamos um volume de etanol para as distribuidoras 5,32% maior do que no mesmo período de 2020, época em que a circulação ainda não havia sido restringida pela pandemia. De fato, nos primeiros 15 dias do mês, o etanol ganhou ‘share’ de mercado”, disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, em mensagem à Reuters após a entidade ser questionada.

Dados da reguladora do mercado de combustíveis (ANP) citados pela Unica comprovam que a paridade está mais favorável ao etanol em importantes Estados produtores e consumidores, tais como São Paulo (69%, na semana entre 7 e 13 de fevereiro, versus 69,9% em período semelhante do ano passado) e Minas Gerais (66,4%, ante 69,7%).

Em São Paulo, principal produtor e consumidor brasileiro de etanol, a relação entre os dois combustíveis vinha acima do limite dos 70% –quando em geral vale mais a pena abastecer com gasolina)– desde a semana de 15 a 21 de novembro do ano passado, passando a 69,8% na primeira semana deste mês.

Nas bombas, a gasolina subiu cerca de 9% no acumulado do ano, na média Brasil, segundo dados da ANP até a última semana, enquanto o etanol avançou menos, cerca de 6%.

De acordo com dados da Unica, o volume comercializado de etanol anidro (usado como mistura na gasolina) atingiu 425,13 milhões de litros no mercado doméstico na primeira quinzena de fevereiro, com alta de 8,18% sobre o mesmo período de 2020.

Já as vendas de etanol hidratado (rival da gasolina) aumentaram 3,85%, totalizando 839,72 milhões de litros, disse a Unica em relatório.

No acumulado desde o início da safra 2020/2021 até 16 de fevereiro, as vendas de etanol pelas empresas do centro-sul acumulam retração de 8,64%, somando 27,21 bilhões de litros, ainda sob impacto das medidas para controlar a Covid-19.

PRODUÇÃO

Com o setor de cana ainda na entressafra, a produção de etanol do centro-sul somou apenas 134 milhões de litros na primeira quinzena de fevereiro, alta de 28,8% na comparação anual, segundo a Unica.

Apenas três usinas de cana operavam até o final da primeira quinzena, além de cinco unidades de fabricação de etanol de milho e duas “flex” (para ambas matérias-primas).

A Unica disse que a produção de etanol de milho do centro-sul segue como destaque na entressafra de cana, respondendo por 110,9 milhões de litros do total na primeira metade do mês.

(Por Roberto Samora)

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