Agronegócio

Produção de trigo no Brasil deve atingir 6,3 mi t, diz Safras; importação pode crescer

Reuters
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16 de outubro de 2020 - 16:45 - Atualizado em 16 de outubro de 2020 - 16:50

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) – A produção de trigo do Brasil deve alcançar 6,3 milhões de toneladas em 2020, estimou a consultoria Safras & Mercado nesta sexta-feira, reduzindo a projeção em 300 mil toneladas ante o levantamento anterior devido aos efeitos da falta de chuvas e geadas durante o desenvolvimento das lavouras.

Apesar do recuo, o resultado representa alta em relação às 5,15 milhões de toneladas colhidas no ano passado, quando a safra foi amplamente afetada por problemas climáticos, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

No início da temporada, antes dos danos causados pelo clima, o potencial produtivo esperado para a cultura chegava a 7 milhões de toneladas, de acordo com especialistas ouvidos pela Reuters.

“Tivemos problemas no início do plantio que foram superados, mas também tivemos momentos sem precipitações e geadas, por isso reduzimos nossa projeção de produção”, disse o analista da Safras & Mercado Jonathan Staudt em transmissão ao vivo pela internet.

Atualmente, ele acredita que o clima vem sendo favorável à colheita do cereal na região Sul do país, principal produtora.

“Pode ser que as chuvas previstas (para este mês) não prejudiquem, mas diminuam o ritmo de colheita do país. No geral o cenário climático é positivo.”

No Paraná, os trabalhos alcançaram 79% das áreas nesta semana, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral).

Levantamento da Emater-RS indica que 18% das áreas de trigo do Rio Grande do Sul foram colhidas até esta quinta-feira, percentual superior aos 13% registrados nesta época da safra passada e aos 16% da média para o período.

IMPORTAÇÃO

Com a nova estimativa de produção da Safras, a necessidade de importação do cereal aumentou e poderá chegar a 7 milhões de toneladas, ante 6,7 milhões de toneladas na previsão anterior, segundo a consultoria.

“A Argentina passa por problemas com seca, mas ainda terá cerca de 12 milhões de toneladas em excedente exportável. Ela deve fornecer pelo menos 80% do trigo ao Brasil…mais de 5 milhões de toneladas, até 6 milhões”, afirmou Staudt.

O analista considera o produto que será adquirido no exterior no ano comercial que vai de agosto de 2020 a julho de 2021.

Na quinta-feira, a safra de trigo 2020/21 da Argentina foi estimada em 17 milhões de toneladas pela Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), uma redução frente à previsão anterior de 18 milhões de toneladas, devido à seca que afeta áreas produtoras do cereal há meses e às recentes geadas vistas no país.

A Argentina é um dos principais fornecedores do cereal do mundo e preocupações quanto ao clima desfavorável no país e em outros produtores fizeram com que o trigo cotado em Chicago atingisse o maior patamar de preço em quase 6 anos.

Neste contexto, o analista da Safras lembrou que o Brasil aprovou cotas para importação de 750 mil toneladas de trigo de fora do Mercosul sem tarifa, até o fim do ano, o que favorece os custos para os moinhos.

“Mas temos que levar em consideração toda a questão logística”, ponderou, ao apontar que neste momento as cotações externas também estão elevadas.

Os principais países beneficiados com as cotas foram Estados Unidos e Rússia.

(Por Nayara Figueiredo)