Agronegócio

Plantio de algodão 2020/21 deve recuar 8,3% no Brasil, estima Safras

Reuters
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25 de setembro de 2020 - 16:59 - Atualizado em 25 de setembro de 2020 - 17:00

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) – A área a ser semeada com algodão na safra 2020/21 do Brasil deve alcançar 1,508 milhão de hectares, estimou a consultoria Safras & Mercado nesta sexta-feira, queda de 8,3% em relação à temporada anterior com produtores migrando para cultivos de soja e milho.

A estimativa também é inferior à área de 1,573 milhão de hectares projetada pela consultoria em seu último levantamento, divulgado em julho.

“O produtor está vindo de várias temporadas de safra cheia, os preços continuam atrativos, mas tem incertezas tanto de demanda interna quanto à dificuldade de venda no mercado internacional”, disse o analista da Safras Élcio Bento, durante transmissão ao vivo pela internet.

“Se tivermos até o fim do ano as exportações absorvendo o excedente de produção, pode ser que a queda não seja tão acentuada”, acrescentou o especialista, lembrando que, ao longo de 2020, os embarques da pluma foram afetados pela pandemia do novo coronavírus.

Apesar da queda, o número da consultoria é mais conservador que o de representantes da cadeia produtiva, que veem redução de 12% no próximo plantio de algodão, para 1,4 milhão de hectares, conforme estimativa da associação nacional do setor Abrapa.

Segundo Bento, o recuo na semeadura não é mais intenso porque a cultura também tem trazido boa rentabilidade para os produtores, com margem lucrativa em torno de 25% baseada nos atuais preços de comercialização.

“Até por esse motivo, a safra 2019/20, que acaba de ser colhida, está de 70% a 80% comercializada, e 40% da safra 2020/21 também”, disse.

“Temos pelo menos 20% (da colheita de 2019/20) ainda para comercializar e com preços atrativos. O produtor está bem posicionado”, ressaltou.

Com a queda no plantio, a produção de algodão tende a recuar para 2,595 milhões de toneladas na temporada 2020/21, uma variação negativa de 4,4% ante os 2,7 milhões de toneladas colhidos no ciclo anterior.

Em relação à última projeção, divulgada em julho, a consultoria revisou para baixo as estimativas de produção, antes vistas em 2,865 milhões de toneladas para 2020/21 e em 2,9 milhões de toneladas para 2019/20.

“Percebemos que o expectativa anterior estava superestimada, principalmente para Mato Grosso. Ainda vieram alguns problemas climáticos e não conseguimos chegar aos 2,9 milhões estimados anteriormente. Com o fim da colheita conseguimos fazer estes ajustes”, explicou Bento.