Agronegócio

Pecuaristas lutam para manter animais vivos em meio a frio incomum no Texas

Reuters
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18 de fevereiro de 2021 - 16:12 - Atualizado em 18 de fevereiro de 2021 - 16:15

Por Tom Polansek

CHICAGO (Reuters) – Pecuaristas do Texas têm trabalhado incessantemente para transportar água e feno para o gado a fim de mantê-lo vivo durante a enorme tempestade de inverno que atinge o Estado, mas alguns animais já sucumbiram às temperaturas atipicamente baixas, que também mataram frangos, hibernaram fábricas de carnes e ameaçaram cultivos.

As mortes de bezerros e a dificuldade para cuidar do gado sobrevivente no Texas, maior produtor de bovinos dos Estados Unidos, representam os desafios mais recentes para pecuaristas que, no ano passado, já tiveram de lidar com a pandemia de Covid-19, que reduziu a demanda por carne nos restaurantes e causou o fechamento de abatedouros.

No Estado, onde vivem mais de 13 milhões de cabeças de gado, fazendeiros disseram estar passando longas horas no frio quebrando o gelo formado em poços e lagoas, para que os animais tenham algo para beber.

Nos tratores, o frio transformou o óleo diesel em um gel sem utilidade –os pecuaristas afirmaram que estão utilizando caminhonetes movidas a gasolina para transportar feno, que o gado pode utilizar como alimento e forma de aquecimento.

Kaylin Isbell, uma pecuarista de Florence, no Texas, disse que alguns bezerros e ovelhas morreram após o nascimento. Os filhotes são particularmente vulneráveis ao choque do frio quando, cobertos de líquido, deixam o útero quente de suas mães. Isbell disse que sua sogra levou ovelhas recém-nascidas para um quarto de hóspedes em sua casa para mantê-las aquecidas.

O frio também mata a aveia plantada por Isbell para a pastagem do gado jovem, disse ela. Como resultado, ela precisará vender os animais antes do esperado, reduzindo suas margens de lucro.

O comissário de Agricultura do Texas, Sid Miller, disse à Reuters que pintinhos estão morrendo de frio por não haver gás natural suficiente para que os incubatórios sejam aquecidos. Segundo ele, o setor de laticínios está descartando 8 milhões de dólares em leite por dia porque as unidades de processamento estão sem energia. Pelo mesmo motivo, as usinas de grãos do Estado não conseguem produzir ração, acrescentou Miller.

“Estamos passando por um problema com o bem-estar animal”, disse ele.

Grandes processadoras de carnes, como Cargill e Tyson Foods, anunciaram a suspensão das atividades em algumas fábricas.

A tempestade já matou pelo menos 21 pessoas em quatro Estados norte-americanos, e as temperaturas devem permanecer de 20 graus a 35 graus abaixo da média em partes das regiões central e sul dos EUA por mais alguns dias.

Além disso, o gado poderá sofrer com problemas respiratórios quando o frio intenso der lugar a temperaturas mais altas, disse Missy Bonds, gerente-geral assistente do rancho de sua família em Saginaw, Texas.

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