Agronegócio

Operadores não veem escassez de açúcar; mudança no cenário macro pode gerar liquidação

Reuters
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19 de maio de 2021 - 17:10 - Atualizado em 19 de maio de 2021 - 17:15

Por Marcelo Teixeira

NOVA YORK (Reuters) – O mercado global de açúcar está bem abastecido e não possui expectativas de escassez no curto prazo, com os altos preços atuais sendo apoiados pela safra do Brasil e pela grande posição comprada mantida por especuladores, algo que pode mudar em caso de mudança nos indicadores macroeconômicos.

Essa é a visão de operadores e corretores que analisaram o mercado atual do adoçante durante apresentação na Santander ISO Datagro New York Sugar and Ethanol Conference, nesta quarta-feira.

Eles concordaram que os contratos futuros do açúcar bruto negociados na ICE têm como um piso o preço de paridade do etanol com o açúcar para as usinas brasileiras, de cerca de 16,50 centavos de dólar por libra-peso, e um teto em torno de 19 centavos/libra-peso, dependendo de possíveis exportações não subsidiadas da Índia.

“As visões convergem para um intervalo semelhante”, disse Enrico Biancheri, head de Açúcar da Louis Dreyfus.

Entre os principais fatores para uma mudança no cenário estão uma deterioração ainda maior da safra brasileira, o que poderia causar pânico nos países de destino da commodity, ou uma alteração no panorama macroeconômico nos Estados Unidos e Europa, com o aumento da inflação levando bancos centrais a subir taxas de juros –o que poderia desencadear uma liquidação por parte dos fundos.

“Se o macro reverter, você terá muitas vendas no mercado”, disse Thierry Songeur, diretor-gerente do Sucden Groupe.

Jeff Dobrydney, vice-presidente sênior da corretora norte-americana JSG Commodities, afirmou que o dólar mais fraco, em conjunto com fundamentos positivos, atraiu muito capital especulativo para os futuros do açúcar. Ele não espera que alguma mudança ocorra em breve.

“O tipo de gasto que nós temos nos EUA não me permite acreditar que haverá uma liquidação guiada pelos fundos no futuro próximo”, disse Dobrydney.

Biancheri acredita que parte do prêmio de risco atualmente embutido no mercado pode desaparecer se a safra do Brasil, no final das contas, não for um “desastre”.

Os operadores afirmaram que os próximos relatórios sobre a situação da safra, que foi afetada pelo tempo seco, trarão mais clareza sobre as perspectivas para o mercado.

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