Agronegócio

Moinhos do Brasil são contra trigo transgênico argentino, diz executivo da Bunge

Reuters
Reuters

25 de novembro de 2020 - 13:52 - Atualizado em 25 de novembro de 2020 - 13:55

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – Os moinhos de trigo do Brasil são contrários à adoção de um cereal transgênico recentemente aprovado na Argentina, uma vez que o produto é destinado à alimentação humana e o grão geneticamente modificado ainda enfrenta restrições para uso direto pelos consumidores, disse o principal executivo do Negócio Trigo da Bunge no Brasil.

“A indústria moageira é contra o trigo transgênico por uma questão muito simples: vai direto para o consumo humano”, declarou Edson Csipai, durante congresso realizado pela associação do setor Abitrigo.

Csipai, um dos executivos mais experientes da indústria de trigo do Brasil, que comanda o segmento na empresa líder em moagem no país, comentou que as preocupações do setor envolvem restrições para o uso do cereal transgênico pela população.

Em outubro, pouco após a aprovação do trigo transgênico pela Argentina, representantes da indústria nacional indicaram solicitação ao governo brasileiro para a não liberação da comercialização no país da variedade transgênica do cereal.

Isso se baseou em uma sondagem que apontou que a grande maioria dos moinhos brasileiros é contrária ao uso de trigo geneticamente modificado.

Dependendo do ano, a Argentina é responsável pelo fornecimento de cerca de 60% do cereal que abastece o mercado brasileiro, sendo complementado pelo produto nacional e outras origens.

O governo argentino aprovou em outubro variedade transgênica de trigo HB4, da empresa de biotecnologia Bioceres, mas destacou que a comercialização do produto ficaria sujeita à autorização para importações pelo Brasil.

A variedade do cereal HB4 desenvolvida pela Bioceres e pela francesa Florimond Desprez confere tolerância à seca e tolerância ao herbicida glufosinato de amônio.

Diferentemente da soja e do milho, produtos que são processados para produção de ração animal e óleos, não há trigo transgênico aprovado para comercialização no mundo.

(Edição de Maria Pia Palermo)

Informamos aos nossos visitantes que nosso site utiliza cookies. Ao usar nosso site, você concorda com nossos Termos de Uso. A maioria dos navegadores aceita cookies automaticamente. Para ver quais cookies utilizamos, acesse nossa Política de Privacidade.