Agronegócio

Ministra vê chuvas como preocupação para plantio da 2ª safra de milho

Reuters
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12 de março de 2021 - 14:49 - Atualizado em 12 de março de 2021 - 14:50

Por Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) – O governo brasileiro está preocupado com as fortes chuvas no país que estão atrapalhando o plantio da segunda safra de milho, afirmou nesta sexta-feira a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, acrescentando que a oferta restrita de cereal já preocupa os frigoríficos.

Quanto mais atrasada a segunda safra de milho, maiores são os riscos climáticos, como seca e geadas com a chegada do inverno.

Chuvas torrenciais em Estados como o Mato Grosso retardaram a colheita da soja e a consequente semeadura da segunda safra de milho, que agora está sendo plantada fora da janela de clima ideal. A “safrinha” do cereal, representará cerca de 80% da produção total do Brasil nesta temporada.

Durante o BTG Pactual AgroForum, ela reiterou o plano do governo de aumentar a produção geral de alimentos do país em uma tentativa de elevar o abastecimento interno e controlar a inflação dos preços dos alimentos.

“Tenho a percepção de que talvez os preços das commodities agrícolas deem outro salto”, disse ela.

Milho e farelo de soja são usados ​​na produção de ração para criações e têm alta demanda no Brasil, que abriga alguns dos maiores frigoríficos do mundo.

O aumento da produção de cereal permitiria aos produtores atender à crescente demanda interna e de exportação, acrescentou.

A China, que está reconstruindo sua criação de suínos após o plantel ser abatido por doença mortal aos animais desde 2018, provavelmente importará cerca de 25 milhões de toneladas de milho este ano, disse Tereza Cristina.

Isso se compara a 7,6 milhões de toneladas no ano comercial de 2019/20, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).

A China já é o maior comprador de soja do Brasil, e analistas acreditam que pode recorrer ao país para fornecimentos adicionais de milho.

Ela ainda disse estar confiante de que o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que está sob revisão, deverá ser aprovado, apesar da oposição de países como a França, que tem um forte lobby agrícola contrário ao pacto.