Agronegócio

Lucro da M. Dias Branco cai quase 90% no 1º tri para R$ 15 mi com queda no consumo

Reuters
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7 de maio de 2021 - 19:08 - Atualizado em 7 de maio de 2021 - 19:10

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) – A M. Dias Branco, líder nos mercados de biscoitos e massas do Brasil, registrou lucro líquido de 15 milhões de reais no primeiro trimestre de 2021, forte queda de 89% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a chegada da pandemia da Covid-19 gerou uma corrida por produtos no varejo.

Neste ano, o aumento de custos relacionado à valorização do dólar ante o real e aos preços de alguns de seus principais insumos, como o trigo, pressionou as margens da empresa.

O cenário levou a M. Dias a aplicar um reajuste nos preços do portfólio de produtos em janeiro, que afetou as vendas consolidadas no trimestre, disse à Reuters o diretor de Relações com Investidores e Novos Negócios, Fábio Cefaly.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recuou 79,3% no período, para 47,4 milhões de reais. A receita líquida baixou 8,9% no ano a ano, para 1,49 bilhão de reais.

“O Ebitda foi fortemente afetado pelo aumento de custos e retração dos volumes”, afirmou o executivo. Somente o câmbio gerou um efeito negativo de mais de 100 milhões de reais sobre o resultado operacional do trimestre.

Do ponto de vista das despesas, dados do balanço financeiro da M. Dias mostram que o preço médio de aquisição de trigo para formação de estoques subiu 21,4% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2020, e encerrou março no pico de 241 dólares por tonelada.

O diretor financeiro ressaltou que a empresa tem adotado uma política de hedge para limitar o efeito da variação cambial, mas como a estratégia começou em julho do ano passado não foi possível fixar a cotação do dólar abaixo de 5 reais.

O volume total de vendas registrou baixa de 25,2% no ano a ano, para 356,4 mil toneladas, puxada tanto pelo segmento de massas (-31,7%) quanto de biscoitos (-29,7%).

“Fizemos um aumento de preços em janeiro, de 10%, isso trouxe uma mudança nos volumes. Em março as vendas melhoraram, em fevereiro os clientes começaram a ter ruptura de produto e voltaram a comprar em março… O trimestre terminou bem melhor do que começou, mas olhando o consolidado foi difícil”, admitiu Cefaly.

Ele disse que a companhia se manteve na liderança do setor mas perdeu um pouco de market share em biscoitos e ganhou algum espaço na área de massas. Em termos de demanda, o cenário está mas desafiador no Nordeste do que no Sudeste.

“Tem a questão do auxílio emergencial que recomeçou em 30 de abril e pode ajudar principalmente (no consumo do) Norte e Nordeste”, estimou.

Ele lembrou que o impacto do isolamento social para conter a disseminação do coronavírus, quando as pessoas passaram a se alimentar mais em casa, foi evidente sobre a demanda no varejo somente ao longo de 2020.

Agora, Cefaly acredita que os fatores macroeconômicos que devem ser observados, e podem influenciar as vendas da empresa, são as questões de emprego e renda das famílias.

(Por Nayara Figueiredo)

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