Agronegócio

Importação recorde de grãos pela China deve manter preços em alta, diz AgResource

Reuters
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27 de janeiro de 2021 - 16:44 - Atualizado em 27 de janeiro de 2021 - 16:45

Por Gus Trompiz e Sybille de La Hamaide

PARIS (Reuters) – As importações recordes de milho e soja que a China deve realizar nas próximas temporadas vão continuar absorvendo as ofertas norte-americanas, mantendo os preços em uma tendência altista, disse nesta quarta-feira a consultoria AgResource, que possui sede em Chicago.

A demanda chinesa guiou um rali nos mercados de grãos no ano passado e desencadeou um salto nos contratos futuros do milho em Chicago na terça-feira, diante de relatos de enormes exportações norte-americanas do cereal e de etanol de milho.

As importações de soja pela China podem avançar para cerca de 110 milhões de toneladas na temporada 2021/22, superando o patamar de 103 milhões a 105 milhões de toneladas esperado para a safra 2020/21, disse o presidente da AgResource, Dan Basse, durante uma conferência sobre grãos em Paris.

A China já registrou importações recordes de 100 milhões de toneladas de soja no ano-calendário de 2020.

Para o milho, cada vez mais utilizado pela China na reconstrução de seu rebanho de suínos após a epidemia de uma doença, as importações pelo país foram estimadas entre 25 milhões e 27 milhões de toneladas em 2020/21, incluindo um volume de 18 milhões a 20 milhões de toneladas do cereal dos EUA, segundo Basse.

As aquisições de milho pela China poderão girar em torno de 25 milhões a 40 milhões de toneladas nos próximos anos, acrescentou ele.

Outros analistas também projetaram que as importações de soja e milho pela China vão aumentar.

A China já havia importado um recorde de 11,3 milhões de toneladas de milho em 2020, à medida que enfrentava uma disparada nos preços domésticos do cereal.

“Nós vínhamos falando há anos sobre a tentativa de se encontrar um novo impulso de demanda, e agora esse impulso de demanda está vindo de nossos amigos na China”, disse Basse.

Um acordo comercial entre Washington e Pequim também deve contribuir para que a demanda chinesa esteja focada nas ofertas norte-americanas, de acordo com Basse e a analista Rosa Wang, da consultoria chinesa JCI.

A JCI espera que a China adquira mais trigo dos EUA neste ano, após realizar compras limitadas nos últimos meses, como parte de um esforço para importar mais produtos agrícolas norte-americanos, disse Wang.

Basse afirmou ainda que as preocupações com a oferta e o aumento dos preços dos grãos e oleaginosas podem durar até dois anos, acrescentando que os agricultores norte-americanos terão de plantar o máximo possível de milho e soja na primavera (do Hemisfério Norte) para que a demanda possa ser atendida.

Para ele, há potencial para que os preços da soja nos EUA fiquem entre 15 dólares e 17 dólares por bushel, e os do milho entre 5,70 dólares e 6 dólares/bushel, superando as máximas de vários anos registradas neste mês.

BRASIL

A consultoria AgResource também projetou que a safra de soja do Brasil 2020/21 deve atingir 128 milhões de toneladas, em estimativa divulgada nesta quarta-feira, após pesquisas em campo.

A projeção está 5 milhões de toneladas abaixo dos números do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) para a temporada.

A AgResource ainda vê potencial de baixa em sua previsão devido ao excesso de chuvas em algumas regiões, que tem causado preocupação, disse Dan Basse durante a conferência em Paris.

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