Agronegócio

Greve afeta carregamento de grãos em mais de 140 navios na Argentina

Reuters
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28 de dezembro de 2020 - 14:05 - Atualizado em 28 de dezembro de 2020 - 14:10

BUENOS AIRES (Reuters) – Uma greve de trabalhadores nos portos atrasou o carregamento de grãos em mais de 140 navios na Argentina, um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos, disse nesta segunda-feira a câmara das empresas agroexportadoras CIARA-CEC.

As atividades portuárias e de processamento de grãos da Argentina vêm sendo afetadas desde 9 de dezembro, quando dois sindicatos de trabalhadores e um de técnicos portuários iniciaram uma greve simultânea por reivindicações salariais.

Na terça-feira os representantes das empresas e sindicatos vão se reunir no Ministério do Trabalho, que busca que as duas partes cheguem a um acordo que libere o fluxo das exportações agrícolas do país, fundamental para sua economia.

“Buscamos um acordo com os sindicatos que permita a operação eficiente, confiável e segura de nossas fábricas e portos”, disse à Reuters Gustavo Idígoras, chefe da CIARA-CEC, que reúne importantes empresas que moem e exportam grãos da Argentina.

Idígoras destacou que mais de 140 navios não conseguiram escoar seus embarques agrícolas e agroindustriais por conta da greve. No domingo, a CIARA-CEC havia anunciado que melhorou a oferta realizada aos sindicatos com o objetivo de destravar as negociações.

As tratativas que envolvem o Sindicato de Trabalhadores e Empregados do Setor de Oleaginosas (SOEA), a Federação dos Trabalhadores de Oleaginosas e a CIARA-CEC remetem a outubro. Mesmo assim, elas ainda não tiveram êxito, afetando os embarques do principal exportador de óleo e farelo de soja do mundo.

“Estamos firmes para conquistar nossas reivindicações”, disse à Reuters o secretário sindical do SOEA, Daniel Succi, que pede um bônus pelo trabalho durante a crise da Covid-19, bem como um novo ajuste salarial para o ano em curso e um aumento de 25% a partir de 1º de janeiro.

Analistas do setor privado preveem uma inflação de cerca de 36,5% para 2020 no país sul-americano, em meio a uma economia que passa pelo terceiro ano consecutivo de recessão, com aumento no desemprego e nos índices de pobreza devido aos efeitos da pandemia de coronavírus.

A medida dos sindicatos na Argentina fez com que os preços da soja na bolsa de Chicago disparassem recentemente, atingindo máximas em seis anos.

(Reportagem de Hugh Bronstein e Maximilian Heath)

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