Agronegócio

França vai restringir uso do herbicida glifosato

Reuters
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9 de outubro de 2020 - 18:57 - Atualizado em 9 de outubro de 2020 - 19:00

PARIS (Reuters) – A agência de saúde e meio ambiente da França anunciou restrições ao herbicida glifosato, mas não chegou a estabelecer uma proibição total no país, maior produtor agrícola da União Europeia, devido à falta de alternativas não químicas em algumas áreas.

As novas regras estabelecidas pela Anses nesta sexta-feira são parte de um esforço do governo francês para eliminar o glifosato até 2021 e refletem um debate global sobre a segurança do herbicida, desenvolvido primeiramente sob a marca Roundup pela Monsanto, unidade da alemã Bayer.

O presidente Emmanuel Macron prometeu em 2017 acabar com o uso do glifosato na França dentro de três anos, mas seu governo disse mais tarde que levaria em consideração a existência ou não de outras soluções.

Em uma decisão sobre os principais usos agrícolas e florestais do glifosato, a agência reguladora disse que o herbicida não deve mais ser usado entre vinhas e árvores frutíferas, ou em campos de cultivo que são arados.

O glifosato ainda seria permitido sob as videiras e árvores onde a remoção mecânica de ervas daninhas é vista como impraticável ou custosa, e ele também seria permitido em fazendas que evitam a aragem para preservar a fertilidade do solo, disse a Anses em um comunicado.

Mas a quantidade máxima de glifosato autorizada por ano seria reduzida em 60% para pomares e campos de cultivo e 80% para vinhas, segundo o órgão.

As condições mais rígidas devem ser aplicadas dentro de seis meses para produtos com glifosato reaprovados pela Anses, ainda de acordo com a agência.

A ANSES já baniu dezenas de herbicidas à base de glifosato e está em processo de revisão dos que ainda estão no mercado.

Usos profissionais do glifosato fora do setor agrícola, como na manutenção de aterros ferroviários, permaneceriam permitidos na ausência de alternativas não químicas viáveis, mas tais casos representam apenas 1,5% do uso do glifosato na França, segundo a agência.

(Reportagem de Gus Trompiz; edição de Emelia Sithole-Matarise e Mark Potter)