Agronegócio

França busca expandir safras ricas em proteínas para depender menos da soja importada

Reuters
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1 de dezembro de 2020 - 09:31 - Atualizado em 1 de dezembro de 2020 - 09:35

Por Sybille de La Hamaide e Gus Trompiz

PARIS (Reuters) – A França pretende aumentar a área semeada com safras ricas em proteínas em 40% a partir de 2022, com o objetivo de reduzir a forte dependência do país nas importações de soja da América do Sul, disse o ministro da Agricultura, Julien Denormandie, nesta terça-feira.

A França e outros países da União Européia importam milhões de toneladas de soja e farelo de soja a cada ano, principalmente do Brasil e da Argentina, para a alimentação de criações destinadas à indústria de carnes.

“Temos um objetivo: recuperar parte de nossa soberania alimentar”, disse Denormandie à Reuters em entrevista, acrescentando que os países sul-americanos são a principal origem das proteínas à base de soja na UE.

Um aumento de 40% nas safras ricas em proteínas equivaleria a 400 mil hectares extras de terra a serem colhidos até 2023, disse o Ministério da Agricultura.

Entre 1º de julho e 25 de novembro, a França importou 950 mil toneladas de farelo de soja e 200 mil toneladas de soja, mostraram dados da UE na segunda-feira.

No longo prazo, a França pretende dobrar a área total em 10 anos para 2 milhões de hectares, o que reduziria sua dependência das importações de proteínas em 10 pontos percentuais.

A França, o maior produtor agrícola da UE, vai destinar um total de 100 milhões de euros ao longo de dois anos para encorajar os agricultores a dedicar mais terras a tais culturas e para impulsionar pesquisas, disse ele.

Culturas ricas em proteínas que serão incentivadas incluem soja, ervilha, lentilha, grão de bico e feijão.

Apenas cerca de 50% das necessidades das safras de alta proteína da França são cobertas pela produção francesa, disse Denormandie.

“O segundo problema é que quando você importa soja da América Latina, você (contribui para) o desmatamento. Portanto, além de um problema de soberania, você tem um problema ambiental”, disse.

Dados na segunda-feira mostraram que o desmatamento na floresta amazônica do Brasil atingiu uma máxima de 12 anos em 2020.

Para melhorar a competitividade em relação às importações mais baratas, os agricultores franceses também vão se beneficiar de subsídios adicionais aprovados sob uma proposta de reforma da Política Agrícola Comum da UE, acrescentou.

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