Agronegócio

Exportação de soja brasileira deve crescer em abril ante 2020, aponta agência

Reuters
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1 de abril de 2021 - 18:28 - Atualizado em 1 de abril de 2021 - 18:30

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – A exportação de soja do Brasil em abril tem potencial de superar o mesmo mês do ano passado, quando o país registrou uma máxima histórica de embarques para todos os meses, com estoques já regularizados nos portos e a forte demanda da China e de países europeus pelo produto brasileiro, de acordo com a programação de navios e um especialista.

Há no “line-up” para abril, segundo a agência marítima Cargonave, cerca de 250 navios programados para embarcar soja, ante aproximadamente 190 embarcações previstas nesta época do ano passado para o mesmo mês, quando o país teve exportações recordes de 14,85 milhões de toneladas, conforme dados do governo.

No início de março, a programação também apontava 250 navios alinhados para embarcar soja brasileira no mês passado, que acabou fechando com embarques de 13,5 milhões de toneladas, de acordo com dados publicados nesta quinta-feira pelo governo.

Considerando que cada navio carrega, em geral, entre 60 mil e 65 mil toneladas de soja –o que daria um volume de ao menos 15 milhões de toneladas para março–, é provável que parte do “line-up” do mês passado tenha ficado para abril, com o setor correndo para tirar o atraso da colheita e chuvas interrompendo embarques em alguns períodos.

“Normalmente abril exporta mais que março, pois já entramos em ritmo pleno de exportação, com armazéns cheios no porto”, disse o especialista em Commodites da Refinitiv Anderson Nacaxe.

Ele lembrou que o país teve os mais baixos volumes de exportação já vistos para dezembro e janeiro, devido a estoques mínimos na entressafra e com o atraso na colheita, cujo ritmo avançou mais fortemente só em março e agora já está dentro da média histórica.

“O problema foi a chuva na colheita, e quando o tempo firmou as máquinas puderam entrar no campo, e então tivemos retomada rápida, com esse volume chegando rápido ao porto”, comentou ele, lembrando que o total exportado em março representa o maior já visto para este mês.

Segundo ele, a demanda chinesa aumentou e está “impressionante”, o que explica os grandes volumes previstos nesta época de pico de exportações de soja do Brasil, maior produtor e exportador global da oleaginosa.

Ele disse ainda que a Europa “tem sido forte como destino também”, com a logística de exportação pelo Norte e o câmbio deixando o Brasil “muito competitivo”.

Consultorias estimaram nesta quinta-feira uma safra recorde para o Brasil neste ano, entre 134 milhões e 135,5 milhões de toneladas.

A StoneX projeta para o ano todo exportações de 82 milhões de toneladas, versus 82,97 milhões no ano anterior.

(Com reportagem adicional de Gabriel Araujo)

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