Agronegócio

Dólar vai às mínimas do dia e real tem melhor desempenho global com BC e fluxos no radar

Reuters
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17 de novembro de 2020 - 13:27 - Atualizado em 17 de novembro de 2020 - 13:30

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar era negociado em queda contra o real nesta terça-feira, refletindo percepção de investidores de que o Banco Central deixou a porta aberta para oferta líquida de swaps cambiais tradicionais até o fim deste ano.

A moeda dos Estados Unidos acelerou as perdas e bateu mínimas da sessão no fim da manhã, junto com os DIs. Segundo operadores, o mercado reagia a fluxos que elevavam a liquidez e beneficiavam os ativos brasileiros. O real tinha o melhor desempenho global nesta sessão.

“O ‘overnight’ do Brasil foi bom”, disse um gestor, citando a sinalização do BC e notícia de que o novo programa social do governo federal que irá substituir o Bolsa Família já está pronto e deve ser lançado no começo de dezembro, conforme dito no fim da segunda-feira pelo ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. O ministro acrescentou que o programa social tem um orçamento próprio.

Sobre o swap, o BC vendeu o lote integral de 12 mil contratos ofertados nesta terça-feira para rolagem do vencimento 4 de janeiro de 2021. Em comunicado divulgado na véspera, o BC informou que pretende fazer rolagem total dos ativos vincendos e disse que poderá recalibrar o montante ofertado, conforme as condições de mercado.

Em comunicados anteriores, a autarquia havia se limitado a sinalizar possibilidade de alteração do lote ofertado a cada dia ou aceitação de propostas em montante inferior à oferta.

Desta vez, o BC indicou que “poderá recalibrar o montante ofertado, conforme as condições de mercado”, segundo nota na segunda-feira.

“O principal direcionamento dos mercados de câmbio tem a ver com comunicado mais recente do BC, em que (a autarquia) deixou a porta aberta para recalibrar a oferta”, explicou à Reuters Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos.

Segundo ele, essa medida mostra intenção do BC de corrigir disfuncionalidades relacionadas ao ajuste de “overhedge” de grandes bancos, que tem potencial para pressionar a taxa de câmbio, e destacou que a atitude não sugere a influência de temores sobre a saúde fiscal doméstica.

O desmonte do “overhedge” –proteção cambial adicional adotada por bancos e cuja eficiência foi colocada em xeque diante de mudanças, anunciadas neste ano, em regras tributárias– pode implicar compra de mais cerca de 15 bilhões de dólares até o fim do ano, segundo cálculos de algumas instituições financeiras.

No começo de novembro, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, indicou que a autoridade monetária deveria atuar no final do ano no mercado de câmbio em função de grande fluxo esperado no país pela questão do “overhedge” dos bancos.

Às 13:25, o dólar recuava 1,53%, a 5,3565 reais na venda, após oscilar entre 5,3495 reais (-1,66%) e 5,424 reais (-0,29%).

Na B3, o dólar futuro perdia 1,20%, a 5,356 reais.

No exterior, o índice do dólar caía 0,1%, tocando mínimas em uma semana. Moedas emergentes, porém, tinham desempenho misto, em meio à queda nos mercados de ações em Wall Street diante de receios sobre a disparada de casos de Covid-19 nos EUA.

(Com reportagem adicional de José de Castro)

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