Agronegócio

Dólar sobe 2% na semana em meio a instabilidade externa e temor fiscal doméstico

Reuters
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16 de outubro de 2020 - 17:40 - Atualizado em 16 de outubro de 2020 - 17:45

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar fechou em alta contra o real nesta sexta-feira, ficando mais perto das máximas da sessão, com as operações domésticas descolando da fraqueza geral da moeda norte-americana no exterior, conforme investidores seguiram ressabiados com incertezas fiscais.

O dólar à vista subiu 0,32%, a 5,6416 reais na venda. O real teve o pior desempenho nesta sessão, considerando 33 pares da divisa dos Estados Unidos.

O dólar bateu a mínima do dia antes das 10h (de 5,5988 reais, queda de 0,44%) e a partir de então ganhou força e oscilou em alta até o fechamento. Na máxima, alcançou 5,649 reais (+0,45%).

Na semana, a moeda subiu 2,08%. Com isso, reverteu a queda no mês e passou a acumular alta de 0,41%. Em 2020, o dólar dispara 40,59%.

A máxima do dólar durante a tarde ocorreu em meio a novos rumores do lado fiscal. Um foco do mercado é se o governo pode prorrogar o estado de calamidade pública para o começo de 2021, o que permitiria mais gastos num momento de explosão do déficit primário –fator por trás do desempenho pior dos mercados brasileiros ante seus pares.

“Se o governo decretar a prorrogação do estado de calamidade, aí a calamidade aumenta como se não houvesse amanhã”, comentou Sergio Goldenstein, consultor independente e estrategista na Omninvest Independent Insights.

Além das dúvidas de ordem fiscal, a sazonalidade tende a prejudicar a taxa de câmbio até o fim do ano, período de tradicional fluxo cambial negativo.

“Ao analisar os últimos 15 anos, de meados de outubro a meados de dezembro o dólar norte-americano costuma se fortalecer cerca de 5%”, disse a Mauá Capital em nota, acrescentando que em menos de 10% das ocasiões houve apreciação do real nesse intervalo do ano.

No exterior, vários pares do real se valorizavam nesta sexta-feira, amparados pela notícia de que a farmacêutica norte-americana Pfizer Inc poderia solicitar a autorização nos Estados Unidos para sua vacina contra a Covid-19 já no fim de novembro.