Agronegócio

Diretoria da Petrobras contribuirá para troca de comando “suave e eficiente”, diz CEO

Reuters
Reuters

25 de fevereiro de 2021 - 14:21 - Atualizado em 25 de fevereiro de 2021 - 14:25

Por Marta Nogueira e Roberto Samora

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) – A atual diretoria da Petrobras ficará pelo menos até o fim de seu mandato, em 20 de março, e está disposta a contribuir para que a troca de comando seja feita de maneira “suave e eficiente”, afirmou nesta quinta-feira o presidente da companhia, Roberto Castello Branco.

As afirmações vem após o presidente Jair Bolsonaro decidir não renovar o mandato de Castello Branco, ao considerar excessivos reajustes nos preços de diesel e gasolina realizados pela petroleira nas refinarias na semana passada.

Em videoconferência com analistas de mercado, o executivo frisou ainda que está disposto a ajudar no processo de transição da presidência da empresa. Bolsonaro indicou o general Joaquim Silva e Luna para ser o novo CEO.

“Estaremos dispostos a fazer (a transição) de maneira mais suave e eficiente”, afirmou, ao explicar que ainda não tem informações sobre como se dará o processo.

Segundo ele, os diretores ficarão até o final do mandato e depois aguardarão as decisões do novo comando.

Em entrevista à Reuters, no último sábado, Luna disse que a princípio não pretende fazer mudanças na cúpula da companhia. “Não penso em levar ninguém (comigo)… “, disse.

“A diretoria não sairá, ela cumprirá até o fim do seu mandato, não há debandada, os diretores são pessoas altamente responsáveis, profissionais… depois eles aguardarão as decisões que forem tomadas”, afirmou Castello Branco, na apresentação dos resultados da empresa em 2020.

“Nós continuamos a trabalhar normalmente pelo menos até 20 de março, o que estamos fazendo não mudará… inclusive no que diz respeito a paridade nos preços de importação.”

Durante a videoconferência, o executivo de 76 anos vestia uma camiseta com o dizer “Mind the Gap”. A expressão em inglês é um conceito usado na Petrobras desde 2019 para se referir às suas ambições de fechar a lacuna de seu desempenho com as maiores empresas de petróleo e gás do mundo.

O executivo evitou fazer comentários sobre como acha que a empresa será guiada, após a sua saída, mas reconheceu que os recentes acontecimentos geraram preocupações de investidores a respeito da compra de refinarias.

“Quanto aos proponentes para comprar as refinarias, eu vi manifestações de preocupação apenas. Mas, até o momento, não houve nenhuma desistência”, afirmou.

Antes de realizar suas perguntas, analistas de mercado elogiaram o trabalho de Castello Branco e o parabenizaram pelos resultados alcançados.

A Petrobras teve lucro líquido recorde de 59,9 bilhões de reais no quarto trimestre do ano passado, ante 8,15 bilhões de reais no mesmo período de 2019, principalmente devido a uma reversão de baixa contábil bilionária relacionada aos preços do petróleo, informou a companhia na quarta-feira.

PREÇOS DE COMBUSTÍVEIS

Durante a reunião, o presidente da Petrobras afirmou ainda que a estratégia traçada pela Petrobras pela atual administração jamais deixou de ser seguida e defendeu sua política de preços de combustíveis.

“É surpreendente, em pleno século 21, dedicarmos tanto tempo à discussão sobre regra da paridade de importação de combustíveis”, afirmou.

O executivo destacou que é preciso seguir paridade de importação de combustíveis, uma vez que esses produtos são commodities internacionais e boa parte da dívida da estatal é em dólar. Segundo ele, os preços abaixo do mercado internacional geram consequências negativas.

Em 2020, o valor da gasolina da Petrobras teve uma queda de 4% enquanto o diesel caiu 13%, segundo apresentação publicada pela empresa, que apontou ainda ajustes adicionais realizados em 2021 na gasolina, no diesel e no GLP, “em linha com a política adotada ao longo de 2020”.

No acumulado de 2021, contudo, a Petrobras já reajustou o preço do diesel em mais de 27%, enquanto a gasolina nas refinarias da empresa subiu 35%, despertando queixas do presidente Bolsonaro, que tem nos caminhoneiros uma importante base de apoio.

Após decidir trocar o presidente da Petrobras, Bolsonaro vem fazendo diversas críticas sobre o executivo, incluindo a afirmação de que ele estaria há 11 meses “em casa sem trabalhar”, pois está atuando remotamente em meio à pandemia de Covid-19.

Ao responder um analista sobre como se dá a decisão de reajustes de combustíveis, explicou que há diversos profissionais qualificados que cuidam do tema e que ele é chamado quando necessário. “Ninguém fica sentado em casa aumentando preço, isso é trabalho de equipe”, disse.

(Por Marta Nogueira e Roberto Samora, com reportagem adicional de Gram Slattery)

Informamos aos nossos visitantes que nosso site utiliza cookies. Ao usar nosso site, você concorda com nossos Termos de Uso. A maioria dos navegadores aceita cookies automaticamente. Para ver quais cookies utilizamos, acesse nossa Política de Privacidade.