Agronegócio

China pede que usinas do país parem de comprar algodão da Austrália, dizem fontes

Reuters
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16 de outubro de 2020 - 17:07 - Atualizado em 16 de outubro de 2020 - 17:10

Por Colin Packham e Dominique Patton

SYDNEY/PEQUIM (Reuters) – A China determinou que as usinas de algodão do país deixem de comprar fibra proveniente da Austrália, disseram nesta sexta-feita uma fonte do governo australiano e dois operadores de mercado com conhecimento do assunto, no mais novo sinal da piora na relação comercial entre os países.

As relações azedaram depois que o governo australiano acusou a China de se intrometer em assuntos internos, e pioraram quando o primeiro-ministro do país, Scott Morrison, defendeu uma investigação independente sobre as origens do novo coronavírus, que emergiu na cidade chinesa de Wuhan no ano passado.

A China é a maior compradora de algodão australiano, considerado o de maior qualidade entre todas as origens importadas, em comércio que movimentou cerca de 900 milhões de dólares australianos (637 milhões de dólares) na safra 2018/19.

A suspensão das compras de algodão ocorre poucos dias depois de Camberra confirmar relatos de outro banimento ordenado pela China –o de compras de carvão da Austrália.

“Basicamente, as usinas têm uma cota de importação, e estão dizendo a elas que essa cota pode não ser liberada no ano que vem caso comprem nosso algodão”, afirmou à Reuters uma fonte do governo australiano.

Se as usinas chinesas continuarem adquirindo algodão da Austrália, poderão ser submetidas a uma tarifa de 40%, acrescentou a fonte, que pediu para não ser identificada por não estar autorizada a comentar o assunto.

Em um email, o ministro do Comércio australiano, Simon Birmingham, disse que o governo está “ciente de mudanças nas condições de exportação” de algodão, e alertou a China contra medidas para sufocamento do comércio.

A embaixada da China na Austrália não respondeu de imediato a pedidos por comentários.

(Reportagem de Colin Packham e Dominique Patton)