Agronegócio

BTG faz sua 1ª operação de crédito sustentável com empresa agrícola

Reuters
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30 de março de 2021 - 17:53 - Atualizado em 30 de março de 2021 - 18:40

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) – O BTG Pactual concedeu 100 milhões de reais em crédito para a Olfar Alimento e Energia, em sua primeira operação de financiamento “sustentável”, na qual o banco concederá reduções de juros como um incentivo para a empresa mediante o cumprimento de metas sociais e ambientais.

Os recursos serão utilizados para capital de giro e investimentos na companhia do Rio Grande do Sul, que é um dos maiores grupos industriais de biodiesel do Brasil.

Segundo o BTG, a Olfar se comprometeu a aumentar a compra de insumos originados da agricultura familiar e expandir o processo de recolhimento de embalagens por logística reversa ao longo dos próximos anos.

A operação tem o prazo de quatro anos e, à medida em que a empresa for cumprindo estes objetivos sustentáveis, o banco automaticamente dará como benefício a redução de 0,15% ao ano nas taxas de juros, disse à Reuters o Head do Corporate Credit Desk e sócio do BTG Pactual, Rafael Nery.

“Temos visto diversas companhias interessadas em transações com esse perfil… principalmente no setor agro, que tem se mostrado com preocupações relevantes com relação a sustentabilidade e negócios de longo prazo”, afirmou o executivo.

Ele explicou que o crédito sustentável –chamado pelo banco como um instrumento “sustainability-linked”– não será um “produto de prateleira”. A operação com a Olfar, segundo Nery, não foi imposta pelo BTG nestes moldes, foi construída em conjunto com a companhia e as próximas também devem ter formatos customizados.

“Essa estrutura é super replicável a outras transações, mas não é fixa… Podemos propor ajuste de garantias nas transações, prazos adicionais de pagamento da dívida, temos várias opções que podem ser atreladas a metas sustentáveis (além de redução de juros)”, afirmou.

Procurada, a Olfar não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

OPORTUNIDADE

Quanto à visão do agronegócio para o banco, o executivo ressaltou que o setor foi o que mais tardiamente passou pelo processo de profissionalização, em termos de melhoria de gestão, quando comparado à industria e serviços, mas é notável o avanço e a atual preocupação em relação à governança ambiental, social e corporativa (ESG, na sigla em inglês).

Em 2020, a carteira de crédito do BTG cresceu 68% em relação ao ano anterior, para 73,7 bilhões de reais. No mesmo período, o agronegócio no BTG saltou 80%.

Atualmente, o setor representa 15% do valor total da carteira de crédito, e no médio prazo a expectativa é que chegue a 25%, estimou o banco à Reuters.

Nery disse que existem grandes “drivers” para crescimento do agro no banco. Segundo ele, há oportunidades nos grandes grupos e nos emergentes. “Temos hoje relacionamento com 100 grandes grupos econômicos do agronegócio, podemos dobrar esse relacionamento ao longo do tempo”, destacou.

Ele também afirmou que outro “driver” estaria nas pequenas e médias empresas (PME) agropecuárias e que o banco tem um de seus focos nos pequenos fornecedores das grandes corporações.

A carteira de crédito PME do BTG Pactual fechou 2020 próxima de 10 bilhões de reais, sendo que o agronegócio responde por 25% deste segmento no banco. “É um dos negócios que mais cresce em nosso business de crédito”, disse o executivo.

E além disso, Nery também destacou as oportunidades que a instituição financeira teria junto à agropecuária e ESG, como é o caso da operação com a Olfar.

“Achamos que o agro é um motor relevante às oportunidades de ESG, onde podemos construir uma carteira linkada com sustentabilidade”, finalizou.

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