Agronegócio

Abiove vê cenário desafiador para contratos de milho no Brasil com quebra de safra

Reuters
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Abiove vê cenário desafiador para contratos de milho no Brasil com quebra de safra
Estoques de milho em Sorriso, no estado de Mato Grosso, Brasil.

9 de junho de 2021 - 19:50 - Atualizado em 9 de junho de 2021 - 19:50

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) -As tradings podem ter pela frente um cenário desafiador quanto ao cumprimento de contratos de milho pelos produtores, em meio à quebra da segunda safra do cereal e forte alteração nos preços no Brasil, disse nesta quarta-feira o presidente da associação da indústria Abiove, André Nassar.

“Os contratos (em geral) passam a ser discutidos quando há uma quebra de safra relevante e podem gerar insatisfação quando você tem diferença de preço grande… no milho temos esses dois problemas”, afirmou o executivo durante webinar promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Ele disse que na soja, por exemplo, houve uma preocupação no setor neste ano de que a inadimplência fosse grande devido ao atraso na safra, mas somente 0,5% dos contratos foram quebrados –em que o grão não foi entregue.

“Estamos falando em universo das associadas da Abiove e Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) que na soja foi coisa acima de 100 mil contratos. Deste total, identificamos 1,5% com algum tipo de problema, sendo a inadimplência 0,5%, e o resto foram contratos que abriram algum tipo de negociação, que pode ser renegociação, mas houve entrega.”

Nassar ressaltou que a inadimplência foi considerada baixa nos contratos da oleginosa, mas que também foram vistos diversos casos em que as companhias precisaram acionar o departamento jurídico para conseguir fazer a retirada do produto na fazenda.

“Nós como tradings, a nossa visão é que se você não tem problema de produção, esse contrato deve ser honrado, deve ser cumprido”, disse.

Vale destacar que, em geral, as tradings associadas à Abiove para a soja são as mesmas que negociam milho.

O cereal da segunda safra foi plantado em grande parte fora da janela ideal devido a um atraso na colheita da soja, e atravessou grandes períodos de seca durante seu desenvolvimento. O mercado agora espera uma quebra para a produção de milho, e os preços mais que dobraram ante o ano passado –daí o risco para os negócios já fechados.

O presidente da Abiove disse que as tradings “evidentemente” querem se proteger de quebras nos contratos e uma das preocupações é a necessidade de incorporação de mais garantias para que haja o cumprimento pelo produtor rural.

Ele afirmou que, em situações extremas, também é possível negociar caso a caso, até permitindo a entrega do produto na safra seguinte.

Também presente no evento, o agricultor e representante da CNA nas câmaras setoriais de soja e de biodiesel do Ministério da Agricultura, Moises Almeida Schmidt, defendeu que os contratos de venda de grãos sejam reformulados a cada ano, “para que haja um entendimento de cada safra”.

“Estamos em um momento perfeito de discussão de melhoria de contrato e também como vamos tratar a parcela de produtores que age de má fé”, afirmou ele, citando que alguns agricultores optam por não entregar o grão para se beneficiar de preços melhores de venda no spot. Para ele, estes compõem a parcela de 0,5% inadimplentes na soja.

(Por Nayara Figueiredo; edição de Roberto Samora)

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