Agronegócio

Abiove defende política própria para ‘diesel verde’, separada do biodiesel

Reuters
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29 de janeiro de 2021 - 20:12 - Atualizado em 29 de janeiro de 2021 - 20:15

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) defendeu em reunião com o governo federal na quinta-feira que o mandato de biodiesel seja “apenas de biodiesel”, e que o chamado “diesel verde” seja estimulado em política própria, disse a entidade em nota.

A manifestação ocorre em momento em que a Petrobras e outros agentes representados pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) pleiteiam a regulamentação do chamado “diesel verde” e sua inserção nos mandatos de mistura obrigatória.

A Petrobras já anunciou que realizou com sucesso testes em escala industrial para a produção de um tipo de diesel verde, cujo produto final tem um pequeno percentual feito a partir de matéria prima renovável, desenvolvido via coprocessamento.

Para a indústria petroleira, é importante que haja regulamentação que atraia investimentos para a produção de novos combustíveis mais limpos, incluindo a possibilidade de emitir créditos de descarbonização (CBios) referentes aos percentuais de diesel renovável eventualmente produzidos.

O setor de biodiesel defende, contudo, que o diesel coprocessado não pode ser comparado ao biocombustível, que é 100% feito a partir de produtos renováveis.

A Abiove participou na véspera de um encontro com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para tratar sobre os desafios e oportunidades do biodiesel no Brasil.

Na ocasião, as demandas foram entregues por meio de um ofício conjunto com outras associações de produtores, a Aprobio e Ubrabio.

“É preciso trabalhar para que tenhamos uma matriz diesel cada vez mais renovável, preservando a progressão do aumento da mistura de biodiesel… e desenvolvendo um Programa Nacional para ao Diesel Verde em separado do biodiesel, considerando suas especificidades físicas, químicas e econômicas”, disse André Nassar, presidente da Abiove.

De acordo com a associação, há grande potencial de substituição de combustíveis fósseis no diesel comercial, sem que seja necessário a interferência no mandato do biodiesel, previsto para chegar a uma mistura de 15% no diesel comercial em 2023.

COMPETITIVIDADE

Para o IBP, no entanto, o impedimento para que novas correntes de diesel renovável sejam incluídas na atual política de estímulo ao setor no Brasil podem desestimular tais investimentos.

Além do diesel coprocessado, há outras correntes de diesel, incluindo um 100% renovável, conhecido como HBO (óleo vegetal hidrotratado, na sigla em inglês), ainda não produzido no país.

“Como você vai investir no Brasil para produzir esse produto se você não sabe se ele poderá ser vendido. Hoje ele não pode”, disse a diretora de downstream do IBP, Valéria Lima.

“Se a gente quer um país competitivo, a gente tem que ter uma indústria competitiva… não só localmente… o Brasil é um grande produtor de biomassa renovável, por ser uma potencia agrícola, e a gente não fazer a opção pela tecnologia mais avançada é um erro.”

Valéria Lima defendeu ainda ser possível realizar uma mistura de diesel coprocessado com biodiesel para atingir o percentual obrigatório de biodiesel no produto comercializado nos postos.

Em 2020, o volume de diesel B comercializado nos postos de combustíveis brasileiros contou com 89% do diesel A na sua composição, sendo que cerca de 24% deste produto foi importado para suprir a demanda nacional, observou a Abiove.

Para a Abiove, o biodiesel é hoje o único produto no mercado com capacidade de diminuir a necessidade de importações, uma vez que o parque industrial do biodiesel já tem potencial para atender a mistura obrigatória de 22% de biodiesel no diesel comercial (B22).

Além disso, a associação defendeu que o Selo Combustível Social continue sendo requerido para a comercialização de biodiesel, medida que reforça a diferenciação do biodiesel brasileiro frente ao estrangeiro.

(Por Nayara Figueiredo, Roberto Samora e Marta Nogueira)

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