Notícias

74 anos de Maringá: de ‘Cidade Canção’ a ‘Capital da Qualidade de Vida’

Maringá, a famosa “Cidade Canção”, já foi “Cidade Verde”, “Dallas do Paraná” e agora vem sendo considerada a “Vale do Silício do Interior”. Para o futuro, o município poderá ser a “Gramado do Paraná” ou até a “Capital da Qualidade de Vida do Brasil”

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais
74 anos de Maringá: de ‘Cidade Canção’ a ‘Capital da Qualidade de Vida’
Maringá: contraste do verde do meio ambiente com o desenvolvimento urbano latente. (FOTO: gentilmente cedida pelo fotógrafo Rafael Silva)

10 de maio de 2021 - 13:15 - Atualizado em 10 de maio de 2021 - 13:15

Maringá, na região Noroeste do Paraná, é considerada uma cidade nova. Nesta segunda-feira (10), o município completa 74 anos de sua fundação. No decorrer destas mais de sete décadas, alguns cognomes, ou apelidos, buscaram marcar uma cidade que já nascia planejada e que, hoje, é considerada a melhor cidade para se viver no País, de acordo com o Índice de Desafios da Gestão Municipal da consultoria Macroplan.

É possível fazer uma cronologia destes apelidos para se ter um entendimento melhor das fases de desenvolvimento assistidas pelos maringaenses em toda a trajetória da cidade, da fundação aos dias de hoje. Engana-se quem pensa que o primeiro apelido de Maringá foi “Cidade Canção”, talvez um dos mais icônicos nomes que remetem à terceira maior cidade paranaense. No começo, Maringá era a “Cidade Menina“.

“Quando Maringá foi fundada, era conhecida, como tantas outras cidades recém-criadas, como Cidade Menina. Logo depois, o vereador Antenor Sanches cunhou a expressão ‘Cidade Canção’, que foi oficializada por lei. Depois tivemos a associação com a ideia da ecologia por intermédio da alcunha de Cidade Verde”,

explica o professor e historiador Reginaldo Dias.

Em 1962, portanto, oficialmente Maringá passa a ganhar o cognome Cidade Canção, em referência à famosa canção “Maringá, Maringá”, composta em 1931 por Joubert de Carvalho, hoje consagrado como nome de importante rua na região central da cidade.

Algumas décadas se passaram. A história do município (de uma mulher que foge do sertão e deixa um caboclo cheio de saudades) continua sendo referenciada até nos dias de hoje. Artistas de fora, reféns da antiga canção, continuam arrancando aplausos da plateia quando dão uma palhinha de “Maringá, Maringá” nos shows realizados por aqui. 

E a alcunha “cidade verde” já batizou inúmeros estabelecimentos comerciais da cidade, de imobiliárias até universidades. Sim, o maringaense tem muito orgulho do Parque do Ingá e do Bosque 2, verdadeiros pulmões a céu aberto que destoam positivamente do cenário urbano caótico composto por veículos, vidro, concreto e asfalto. De uns tempos para cá, porém, começa-se a surgir novos horizontes para esta importante cidade do interior do Estado.

O boom do agronegócio

No fim dos anos 1990, inesperadamente, Maringá ganha uma nova alcunha: a “Dallas do Paraná”. A referência texana ganhou reportagem de capa da Revista Veja, em maio de 1999, sendo destacada como uma das dezenas de capitais regionais que deram certo no País.

O cenário maringaense era decorado com caminhonetes enormes, como a GM Silverado e a Ford F-250, desfilando pelas avenidas principais com motoristas vestindo xadrez, boné e alguns até de chapéu. A Expoingá, tradicional exposição e feira agropecuária da cidade, era aguardada anualmente pela população não apenas de Maringá, como também de moradores de pelo menos 30 municípios da região. 

O agronegócio protagonizava a economia local, fortalecia cooperativas agroindustriais e dava, também, muito orgulho ao prefeito à época, Jairo Gianoto, condenado por desvio de verba pública, formação de quadrilha e sonegação fiscal, hoje morador em Nova Mutum (MT).

A reportagem na Veja carimbando um selo country a cidade fez sucesso. Maringá também foi parar em reportagens de TV. Mas o historiador Reginaldo Dias chama a atenção para alguns equívocos editoriais que, talvez, foram percebidos apenas para quem realmente morava na cidade.

“A matéria que proclamava Maringá como a Dallas paranaense era muito frágil, caracterizada mais como uma peça de propaganda do que como um produto elaborado com rigor jornalístico. O prefeito da época gostou tanto que recortou as páginas e fez uma moldura, que passou a ser exibida em seu gabinete”, revela Dias.

Outra referência estadunidense

Empresas como Google e Facebook estão instaladas no Vale do Silício, berço das maiores incorporadoras de tecnologia do mundo que fica na Califórnia, nos Estados Unidos. De uns anos para cá, a singela Maringá do caboclo da canção, dos parques verdes e do boom agroindustrial, avançou para uma etapa mais contemporaneizada, tornando-se, para muitos, o “Vale do Silício Paranaense“.

A explicação para isso é a reunião de mais de 400 empresas da área de Tecnologia da Informação instaladas em Maringá e, mais recentemente, um forte apoio institucional para o setor, com a criação do Parque de TI, área de aproximadamente 170 mil m² na Avenida Nildo Ribeiro da Rocha que reunirá dezenas de empresas do setor, além da sede do associação Software by Maringá

Em meio à pandemia, desemprego é palavra inexistente no dicionário do polo de TI maringaense, que, pelo contrário, sofre para conseguir preencher tantas vagas de emprego, o que obriga as empresas, muitas vezes, optarem pela contratação de trabalho remoto feito por colaboradores que moram em outras cidades e Estados brasileiros.

Em fevereiro deste ano, o setor de TI anunciava em Maringá a criação de 1,3 mil vagas de empregos para o ano de 2021 e um investimento inicial de R$ 50 milhões envolvendo as oito primeiras empresas que iniciaram obras para novas sedes no Parque de TI.

Internacionalização

Maringaenses ainda comemoram o seu destaque no estudo da Macroplan, veiculado na conceituada Revista Exame em fevereiro deste ano, que apontou Maringá como a melhor cidade para se viver no País, levando em consideração fatores sobre emprego, saúde, educação e segurança

Motivados com os bons índices municipais, parece haver na atual administração pública uma necessidade de se pensar em uma constante superação. Mas, se Maringá já é a melhor cidade do Brasil – pelo menos de acordo com o ranking recentemente divulgado -, o que mais se almejar por aqui?

“Transformar Maringá numa cidade inteligente, e que possamos avançar em processos de internacionalização de algumas marcas, como da indústria têxtil e polo de TI. Enfim, ser a grande líder da região Noroeste”,

responde a pergunta o prefeito de Maringá, Ulisses Maia.

Corrobora com o prefeito Marcos Cordiolli, apelidado como o super-secretário da cidade por ser o responsável de uma recente pasta criada na governabilidade municipal chamada de Secretário de Inovação, Aceleração Econômica, Turismo e Comunicação. “A internacionalização das empresas maringaenses estão articuladas a diversas dimensões de processos de reposicionamento econômico e social da cidade”, diz ele.

Cordiolli cita três pilares que favorecem uma Maringá cada vez mais conectada e internacionalizada: “temos um forte associativismo, colaboracionismo e cooperativismo, uma rara e preciosa combinação que possibilitou que Maringá partisse da condição de uma cidade promissora numa terra de potencial riqueza para uma liderança nacional e, quiçá, internacional.”

A “Gramado do Paraná

Embora sempre elogiada, entidades locais reconhecem que o potencial turístico de Maringá ainda pode melhorar. Em visita, o turista não deixa de visitar a Catedral e o Parque do Ingá, e uma recente campanha chamada Maringá Encantada aqueceu a cidade nos festejos de fim de ano, com investimentos em iluminação diferenciada e atrativos culturais, como shows e apresentações cênicas.

O empresário Jefferson Nogaroli diz querer mais para Maringá, cidade onde chegou ainda bebê (ele nasceu em Astorga) e que atua até nos dias de hoje, com projetos destacáveis nas áreas de distribuição e logística de alimentos e cooperativas de crédito. Pensando em atrair mais turistas e também pessoas que escolham Maringá para morar, Nogaroli usou uma área de terra particular dele e viabilizou uma elogiável plantação de girassóis, que pode receber visitantes diariamente, sem qualquer custo cobrado.

Basta um clique na internet para entender que, hoje, a plantação de girassóis se tornou uma nova atração turística de Maringá, com visitantes que chegam de dezenas de municípios só para fazer fotos em meio às belezas naturais do plantio.

Entre os planos do empresário, está aproveitar a “onda” do município como sendo a melhor cidade para se viver para também torná-la uma boa cidade paranaense para se visitar. E a referência turística é Gramado, cidade do Rio Grande do Sul famosa pelos chalés alpinos, chocolateiros, exibição de luzes de Natal e, também, exuberância dos plantios de hortênsias em flor na primavera.

“Maringá tem tudo para ser a Gramado do Paraná. Após o sucesso também das nossas luzes de Natal e agora com os girassóis, estou articulando novas ideias para o pós-pandemia, como plantação de girassóis vermelhos e os labirintos em plantação de milho”,

adianta Nogaroli.

Capital da Qualidade de Vida

Nessa jornada envolvendo tantos cognomes para Maringá, a Cidade Menina com tantas ambições, cogitou-se recentemente também destacar a cidade como uma nova Dubai, algo um tanto megalomaníaco demais na opinião do empresário Jefferson Nogaroli.

A alcunha que compara a cidade interiorana paranaense à mundialmente cidade conhecida dos Emirados Árabes recebeu um start depois do anúncio de um projeto chamado Eurogarden, que chamou bastante a atenção pelas propostas ousadas envolvendo arranha-céus ostentosos e arquitetura moderna e inteligente, capaz de tornar Maringá uma cidade que sabe proporcionar um diálogo saudável entre o verde do meio ambiente com o brilho das novas construções.

E se é um exagero comparar Maringá com Dubai e todos os seus shoppings de luxo, arquitetura ultramoderna e animada vida noturna, Nogaroli, em entrevista exclusiva para o RIC Mais, resolveu criar um novo título para a cidade de 430 mil habitantes: a “Capital da Qualidade de Vida do Brasil”.

“Eu gostaria que Maringá fosse reconhecida como a Capital da Qualidade de Vida do País. Temos vocação turística, ótimos índices de segurança, saneamento básico, muito verde, empregos e ótimas opções de investimentos. Mas ainda nos falta algo para isso: um investimento massivo em educação”,

opina o empresário.

Na visão de Nogaroli, as crianças em ambiente escolar precisam de contraturnos específicos de matemática e de inglês para finalmente as próximas gerações conquistarem algo além de apenas um emprego. 

“O setor de TI começa com chances a partir de R$ 4 mil, que podem chegar a um salário de R$ 20 mil. Mas precisamos investir na educação, reter talentos, atrair novos talentos e fazer com que toda essa melhora de renda seja revertida em desenvolvimento econômico local, e não apenas em Maringá, mas em toda a região metropolitana”, finaliza o empresário.