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21 presos são aprovados em 1ª chamada no vestibular da UEL

Segundo o mais recente levantamento do Setor de Educação e Capacitação do Depen, em abril deste ano, 45 presos cursam ensino superior, presencial ou a distância, em 10 unidades do Estado

Redação RIC Mais
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21 presos são aprovados em 1ª chamada no vestibular da UEL
(Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

6 de julho de 2021 - 10:16 - Atualizado em 6 de julho de 2021 - 10:16

21 presos do sistema prisional do Paraná foram aprovados em primeira chamada no vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (05). Os cursos com o maior número de detentos que passaram na primeira fase são Educação Física (licenciatura), com sete; Serviço Social, Nutrição e Direito, que tiveram duas aprovações cada. Também há aprovados em Ciências Biológicas, Engenharia Elétrica, Matemática, Letras e Ciências Contábeis.

Hoje, no Paraná, 45 pessoas presas cursam o ensino superior, presencial ou a distância. Para o diretor-geral do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), Francisco Caricati, a oportunidade para o preso buscar o ensino superior demonstra um dos pontos fundamentais da política do órgão, que é a reinserção na sociedade, sendo a educação o fator principal neste processo.

“O Paraná é uma referência quando falamos sobre os trabalhos de reinserção do preso à vida profissional, com projetos que instigam a vontade de mudar de vida. Essas ações destacam o Estado como um dos que mais tem internos estudando ou em projetos de remição pela leitura, por exemplo. Estamos sempre buscando ampliar o número de salas de aula, justamente para dar mais acesso aos interessados em mudar de vida”, afirma Caricati.

Os 21 aprovados estão na Casa de Custódia de Londrina (CCL), no Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon) e na Penitenciária Estadual II (PEL 2). Em comparação com a primeira chamada do último vestibular da UEL, o número de aprovações cresceu, e foi de 38%. Segundo o diretor regional do Departamento Penitenciário de Londrina, Reginaldo Peixoto, esse quantitativo vem crescendo com o passar dos anos.

“Eu acredito que este número, de 21 aprovados na primeira chamada da UEL, possa dobrar com a segunda e a terceira convocações. Os professores e alunos das penitenciárias se motivam cada vez mais para que este número possa aumentar, e é o que vem acontecendo desde o princípio do projeto aqui em Londrina”, explica Peixoto.

O vestibular para os presos ocorre em Londrina desde 2013, resultado de um acordo estabelecido entre a UEL, a Secretaria de Estado da Segurança Pública, o Departamento Penitenciário do Paraná e a Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina.

O acesso à educação para o preso é um direito constitucional, reforça Reginaldo Peixoto. “Investir em educação é sempre um passo para um futuro melhor”, afirma.

Ele destaca que a tendência de o preso que estuda e que está engajado em programas de educação, trabalho e profissionalização, delinquir novamente diminui muito. “Então, é importante para ele, pois sairá do sistema prisional melhor do que quando entrou, e também é importante para as penitenciárias, pois onde existe bastante presos engajados nos programas, a unidade tende a ser mais calma e o cumprimento de pena mais fácil. Tudo isso somado, quem ganha é a sociedade”, enfatiza Peixoto.

Como funciona

Para que o preso aprovado em vestibular possa cursar a universidade, ele precisa de autorização judicial. São levados em consideração critérios como natureza do crime, montante da pena cumprida, quanto ainda falta para cumprir, bom comportamento carcerário.

“Existe um processo rigoroso de autorização, fiscalização e de acompanhamento. O preso passa por entrevista no setor de segurança, por assistentes sociais, por psicólogos, entrevistas pessoal com o promotor e o juiz. Após todo este processo, devidamente analisados toda a questão jurídica e o nível de periculosidade, os presos são liberados ou não para cursar”, explica Peixoto.

Segundo o mais recente levantamento do Setor de Educação e Capacitação do Depen, em abril deste ano, 45 presos cursam ensino superior, presencial ou a distância, em 10 unidades do Estado. São 17 pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni), 14 pelo processo de vestibular e dois pelo Sistema de Seleção Unificada. Os principais cursos são Letras (11), Administração (4), Direito (3), Educação Física (5), Serviço Social (3) e Serviços Jurídicos e Notariais (3).

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