Justiça

MPPR reconhece dupla maternidade de criança concebida por casal transexual

Esta é uma das primeiras manifestações do Ministério Público nesse sentido registradas no Brasil

Isadora
Isadora Deip / Estagiária com informações do MPPR e supervisão de Giselle Ulbrich
MPPR reconhece dupla maternidade de criança concebida por casal transexual
(Foto: Unsplash)

13 de abril de 2022 - 19:45 - Atualizado em 13 de abril de 2022 - 19:45

O Ministério Público do Paraná (MPPR) reconheceu a dupla maternidade no registro civil de uma criança, filha de duas transexuais, em Matinhos, no Litoral do Paraná. Esta é a primeira manifestação ministerial nesse sentido registrada na comarca e uma das primeiras do país.

O bebê foi concebido pelo casal de forma natural. Uma das mães, registrada originalmente como homem, se identifica como mulher e teve o registro civil alterado para o feminino. A outra, que gestou a criança, mantém o registro civil com nome e sexo feminino, mas se reconhece e identifica socialmente como homem. Ambas não realizaram cirurgia de redesignação sexual.

Ao registrar a filha, o casal declarou a dupla maternidade, mas o cartório pleiteou a suscitação de dúvida (procedimento adotado quando há alguma discordância por parte do cartório em relação ao registro solicitado).

Combate a preconceitos

Na manifestação, o MPPR sustenta que, “em que pese o ordenamento jurídico brasileiro tenha sido constituído e predominantemente embasado numa sociedade heteronormativa, as atualizações legislativas e jurisprudenciais mostram a tendência humanitária a fim de reconhecer outras espécies de família além daquela tradicionalmente aceita, sendo que qualquer ato que não estabeleça a igualização dessas famílias traduz-se em verdadeiro ato discriminatório”.

“A sociedade e o Estado, respeitando o primado constitucional, devem salvaguardar todos os direitos não só das pessoas transexuais, como de toda a identidade de gênero autopercebida, encetando esforços no sentido de combater o preconceito e garantir a dignidade da pessoa humana, o primado mais caro dos Direitos Humanos e dos Direitos Fundamentais”,

destaca o Ministério.

O Juízo responsável pela questão deve deliberar sobre o caso nos próximos dias.

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