Justiça

Dono de bar baleado por GM fica revoltado com soltura de suspeito: “Tenho medo”

Comerciante tem cinco filhos e está impossibilitado de trabalhar devido às lesões, “Olha o estado que ele me deixou e fica 10 dias preso […] quem vai sustentar meus filhos?”

Guilherme
Guilherme Becker / Editor com informações de Marcelo Borges, da RICtv
Dono de bar baleado por GM fica revoltado com soltura de suspeito: “Tenho medo”
(Foto: Paulo Fischer/ RICtv)

2 de julho de 2022 - 13:13 - Atualizado em 2 de julho de 2022 - 13:13

O comerciante David Dias Coutinho, que foi baleado no dia 16 de junho enquanto trabalhava no próprio estabelecimento, ficou revoltado com a soltura do suspeito pelos disparos. Por volta das 22h desta sexta-feira (1º), o guarda municipal Ademir Cordeiro de Assis foi solto pela Justiça após decisão da 2.º Vara do Tribunal do Júri de Curitiba.

Além de David, Adriano Honorato Moraes, que era cliente do bar, também foi atingido por disparos. Entretanto, Adriano não resistiu. A ocorrência foi registrado no bairro Pilarzinho, em Curitiba, e as vítimas foram atingidas no momento em que tentavam separar uma briga de casal.

“Olha o que ele fez comigo, isso aqui ele pode fazer com qualquer pessoa. Fora o outro que ele matou, que a família não consegue responder com ele”,

contou David.
(Foto: Paulo Fischer/ RICtv)

Um dia após o crime, o guarda municipal apontado como suspeito e que foi flagrado fugindo com a companheira após os disparos se apresentou à sede da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e chegou a entregar a arma utilizada. O suspeito chegou a ficar 10 dias preso, mas já está em liberdade.

“Olha o estado que ele me deixou e fica 10 dias preso. 10 dias e eu vou ficar quantos dias em casa, sem poder trabalhar, sem poder sustentar minha família. Então o cara já vai para casa. Vai que vai voltar a trabalhar, recebendo o salário dele e eu que jeito? Tenho cinco filhos e agora ele vai ficar solto?”,

declarou David, que agora vive em uma cadeira de rodas.

A defesa do guarda municipal, por meio da advogada Thaise Mattar Assad, alegou que não havia motivos para deixar Ademir preso, já que ele se apresentou espontaneamente na DHPP 24 horas após o assassinato. 

Dono de bar pede Justiça

Ainda bastante debilitado devido às sequelas, David pede por Justiça. De acordo com o comerciante, como não está trabalhando, não tem condições de manter o aluguel do estabelecimento e terá que entregar o ponto na próxima terça-feira (5).

“Não vou conseguir pagar pensão, tenho mais duas crianças em casa para sustentar, que pedem as coisas. Tenho funcionários com família, que eu tinha três no bar. Agora pediram o ponto e eu sou obrigado a entregar […] Qual é a nossa justiça? Claro que eu tenho medo”,

disse David.

Relembre o caso – Tiros em bar no Pilarzinho

Ao perceber uma briga de casal do lado de fora de um estabelecimento comercial no bairro Pilarzinho, em Curitiba, o dono de um bar e um cliente foram até os dois para evitar agressões contra a vítima do sexo feminino. Entretanto, o homem atirou e um deles morreu no local.

De acordo com informações, o casal estava discutindo por volta das 2h desta quinta-feira (16). O bar em que as vítimas estavam fica na rua São Salvador, próximo ao local, por isso, as vítimas foram até o casal.

A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil do Paraná (PCPR), assumiu as investigações do caso.

“Temos um duplo homicídio, uma pessoa faleceu, o Adriano, e temos uma outra pessoa que foi atingida, ou seja, tinha potencial pleno de ter sido morto. Outras pessoas presentes no ambiente também poderiam ter sido atingidas, então temos o perigo comum como sendo uma das qualificadoras, deste futuro indiciamento”,

comentou  delegada Tathiana.

Um dia após o crime, o principal suspeito se apresentou com uma advogada, porém, não foi preso.

“Ele não foi preso quando se apresentou ontem (17), porque já não havia mais os requisitos da prisão em flagrante de delito, então quando ele se apresentou não poderia ficar preso. Todavia, a investigação está começando. Muitas pessoas serão ouvidas nos próximos dias […] Com base em mais elementos, talvez esta autoridade policial, represente pela prisão ou não”,

finalizou Guzella.