Justiça

Capítulo final: réus vão a júri popular por morte de prefeito de Piên e segurança em junho

Quase seis anos após o crime, o julgamento vai ocorrer em Rio Negro e as famílias esperam por Justiça

Daniela
Daniela Borsuk / Editora com colaboração de Guilherme Becker, do RIC Mais
Capítulo final: réus vão a júri popular por morte de prefeito de Piên e segurança em junho
(Foto: TJPR)

2 de junho de 2022 - 13:22 - Atualizado em 2 de junho de 2022 - 19:43

Será realizado no dia 21 de junho o júri popular do ex-prefeito de Piên, Gilberto Dranka, e outros três réus acusados de envolvimento nas mortes do então prefeito recém-eleito Loir Dreveck e do técnico de segurança Genésio Almeida, em 2016. Quase seis anos após o crime, o julgamento vai ocorrer em Rio Negro, já que Piên não possui fórum na comarca. A suspeita é de que a execução tenha motivação política.

Nesta quarta-feira (1º), foram sorteados os jurados que irão participar do júri popular. A expectativa é de que o julgamento seja o mais longo do ano no Paraná, já que pelo menos 25 testemunhas devem ser ouvidas durante as sessões, além dos réus e os debates entre as partes.

O prefeito recém-eleito, Loir Dreveck morreu após ser baleado na cabeça (Foto: Redes Sociais)

Sentam no banco dos réus no dia 21 de junho Gilberto Dranka, o ex-prefeito de Piên – que foi prefeito por dois mandatos, de 2009 a 2012 e de 2012 a 2016 -, o presidente da Câmara Municipal de Piên na época, Leonides Maahs, o mecânico Orvandir Pedrini e Amilton Padilha.

Gilberto e Leonides são apontados como mandantes do crime. Conforme as investigações, Amilton é suspeito de ser o atirador que matou Dreveck e Orvandir é suspeito de ser o intermediário. Os citados chegaram a ser detidos na época, mas apenas Amilton foi mantido na cadeia. Em 2020, no entanto, ele fugiu na prisão e não foi recapturado. No momento, ele está foragido.

O ex-prefeito Gilberto Dranka é apontado pela polícia como mandante do crime contra Loir (Foto: Redes Sociais)

Famílias esperam por Justiça

Os familiares de Loir e Genésio esperam, há quase seis anos, por Justiça. Representadas pelo advogado Samir Mattar Assad, que é também assistente de acusação do Ministério Público, a irmã do prefeito Loir e a esposa de Genésio afirmaram que esperam que os réus sejam condenados e estão ansiosas com a chegada do júri popular.

A irmã de Loir, Maria Rosilda Drevek, contou que não quer vingança, mas que espera sim que a Justiça seja feita. “Esperamos com o julgamento encerrar esse ciclo doloroso de nossas vidas. Nada vai trazer o Loir e o Genésio de volta, a gente já perdeu aí, nós nunca vamos ganhar esse jogo. Porém é necessário que todos conheçam a verdade, conheçam toda a investigação que foi feita, tudo o que foi descoberto pelo excelente trabalho da polícia. Nós não queremos vingança, nós queremos apenas Justiça, para que outros crimes de pistolagem não ocorram, e que nosso município não seja conhecido como palco de dois crimes hediondos planejados e praticados com requintes de crueldade”, disse.

“Tiraram nossos entes queridos, tiraram nossa paz, será que já não nós fizeram sofrer o suficiente? Alguém tem que parar essas pessoas. Por ninguém nunca ter feito isso, é que eles chegaram aonde eles chegaram. Então, em termos das provas de polícia e do Ministério Público, esperamos que sejam condenados e que sejam presos em plenário, caso seja essa a decisão dos jurados”,

complementou Maria Rosilda, em entrevista ao RIC Mais.

A esposa de Genésio, o técnico em segurança que foi morto dias antes de Loir, que as investigações apontam que foi assassinado por ter sido confundido com o verdadeiro alvo, o prefeito, contou sobre a dor de perder o marido.

“A expectativa é grande e com ela vem a ansiedade, porque foram muitos anos de sofrimento, quase seis anos, esperando esse grande momento. E eu tenho certeza que a Justiça divina será feita, assim como eu creio na Justiça dos homens também. […] E a minha expectativa é de que tudo termine conforme a vontade de Deus, porque ele sabe de todas as coisas. E é impossível, ao meu ver, que essas pessoas não sejam condenadas pela barbárie que fizeram com o meu marido e com o prefeito Loir. É muito triste, somente quem perde dessa maneira tão bruta os seus entes queridos, é que sabe o que passa aqui dentro do nosso ser”,

desabafou a esposa de Genésio, Maria Pavarin.

Veja o vídeo:

Em nota, o advogado Samir Mattar Assad afirmou que “o processo esta embasado em amplas provas produzidas num trabalho de excelência da Polícia CIvil e do Ministério Público do Estado do Paraná. As famílias das vítimas aguardam o julgamento esperando pela efetivação da justiça com a condenação dos réus pelos graves crimes praticados”.

Defesas dos réus

O RIC Mais entrou em contato com os advogados de defesa dos réus para um posicionamento sobre o júri do dia 21 de junho.

O advogado de Amilton Padilha, Jeffrey Chiquini, afirmou que não irá se pronunciar sobre a fuga de seu cliente da prisão onde estava detido, em Itajaí, em Santa Catarina. Porém, afirmou que “a sociedade conhecerá a verdade, e saberão que os acusados são inocentes. Houve uma grande armação para incriminar os réus”, pontuou.

As advogadas de Orvandir Aris Pedrini, Marcia Gottems Lobo e Juliane Andressa Testi, afirmaram que o mecânico foi “envolvido numa trama de fins políticos obscuros, sendo este um homem correto, que vem sofrendo há muito tempo com essa situação, que já sofreu ameaças, mas sempre sustentou a verdade”. Veja na íntegra:

“Após quase 06 (seis) anos de longa espera, finalmente estamos preparados para demonstrar, todos os fatos como verdadeiramente se sucederam. A data de 21/06/2022, terá início o julgamento e está sendo de muita expectativa, será um marco para cidade de PIEN, tão esperada pela defesa, bem como pelo Sr. ORVANDIR ARIAS PEDRINI, momento de mostrar para a sociedade, esclarecimentos da realidade dos fatos, seu contexto e todos os envolvidos. 

Como sustentou desde início, srº ORVANDIR, foi envolvido numa trama de fins políticos obscuros, sendo este um homem correto, que vem sofrendo há muito tempo com essa situação, que já sofreu ameaças, mas sempre sustentou a verdade.

Assim, com todas as provas produzidas será demonstrada, a participação dos culpados, um crime desta magnitude precisa ser esclarecido para sociedade que os julgará neste júri.  

Os jurados, são representantes da sociedade a qual fazem parte e decidem em nome dela. E terão o encargo de afirmar ou negar a existência do fato criminoso das pessoas que serão julgadas, finalmente a soberania do povo terá voz e poder de decisão para julgar a participação de cada um dos acusados, e se tem a firme convicção que a justiça será feita.   

Os advogados Nilton Ribeiro, que defende o ex-presidente da Câmara Leonides Maahs, e Claudio Dalledone, que representa o ex-prefeito Gilberto Dranka, também foram contatados. O RIC Mais aguarda posicionamento das defesas.

Relembre o crime em Piên

Genésio Almeida, que era técnico em segurança, foi executado a tiros dentro do carro no dia 6 de dezembro de 2016. O homem transitava pela PR-420, com destino a São Bento do Sul, em Santa Catarina, quando foi baleado na cabeça nas proximidades do trevo de Trigolândia. Segundo a polícia, Genésio foi morto por engano, ao ser confundido com o prefeito Loir.

Dias depois, no dia 14 de dezembro de 2016, na mesma rodovia, o prefeito recém-eleito de Piên ia para Santa Catarina com as duas filhas e um motorista, quando um suspeito de moto emparelhou com o veículo ocupado pela vítima e fez os disparos. Loir foi atingido na cabeça, chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital, em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, três dias depois.

Em 31 de janeiro, o ex-prefeito Gilberto Dranka foi preso em uma operação do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Dranka ainda tentou se esconder no forro da casa durante a abordagem, mas foi localizado e preso. As investigações apontaram o envolvimento de Leonides Maahs, ex-presidente da Câmara Municipal de Piên, do mecânico Orvandir Pedrini, e de Amilton Padilha no crime.

Ex-prefeito suspeito se candidata

Em 2020, o ex-prefeito Gilberto Dranka concorreu como candidato a prefeitura de Piên novamente, pelo PSL, mesmo sendo suspeito de ser o mandante do crime contra Loir. O envolvimento no processo não o impediu de ser candidato já que, como não foi condenado até o momento, não se enquadra na Lei da Ficha Limpa. Na época, Dranka foi o primeiro candidato a prefeito da Região Metropolitana de Curitiba a usar tornozeleira eletrônica.