Infraestrutura

Subsídio de R$ 900 mi zeraria tarifa de ônibus ao usuário, aponta presidente da Urbs

Ogeny Pedro Maia Neto participou da sessão plenária da Câmara Municipal de Curitiba nesta quarta (2)

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações da CMC
Subsídio de R$ 900 mi zeraria tarifa de ônibus ao usuário, aponta presidente da Urbs
(Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

2 de março de 2022 - 19:27 - Atualizado em 2 de março de 2022 - 19:31

O presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, afirmou que, com um subsídio de R$ 900 milhões, seria possível zerar o valor da tarifa cobrada do usuário pelo transporte coletivo de Curitiba (PR), que teve um reajuste de 22% na terça (1) e passou de R$ 4,50 para R$ 5,50. Ele esteve na sessão plenária da Câmara Municipal (CMC) nesta quarta-feira (2) e participou de um debate com os vereadores por 2h20.

Segundo o gestor, “seria necessário subsidiar R$ 720 milhões por ano para fazer a passagem a R$ 1,70, como Araucária”. Ele destacou que o município da região metropolitana chegou a esse valor após subsidiar cerca de 75% dos custos da tarifa e observou que “são sistemas incomparáveis”, já que o transporte da capital possui um custo muito maior, por ter mais usuários, frota e trabalhadores. 

“Eu não entendo por que lá é baixar a passagem e aqui é dar dinheiro aos empresários. Subsídio não é dar dinheiro a empresários. Eles prestam um serviço, assim como serviço de lixo é prestado à cidade”, opinou.

Ao todo, 18 dos 38 vereadores participaram da sessão e falaram com o presidente do órgão. Para alguns, falta transparência no sistema, que tem uma tarifa técnica de R$ 7,20. Esse é o custo do sistema divido por número de passageiros.

Maia Neto reforçou que o aumento dos custos e a tarifa social congelada desde março de 2019 que impulsionaram o aumento de R$ 1 no preço final pago pelo usuário. “Nós tivemos um aumento de 76% no óleo diesel, que é a fonte motora do transporte coletivo. E de 131% no biodiesel”, disse.

“Tudo isso empurrou componentes como pneus, cuja inflação no período ficou em 42,79%”, completou ele.

O presidente da Urbs sinalizou, ainda, que os combustíveis e lubrificantes, dentre outros componentes, representam 21,62% dos custos da tarifa técnica. Em 2021, o percentual girava em torno de 15%. “Temos uma diferença de 0,86 por passageiro, que é paga com subsídio”, continuou. O saldo resultará em um impacto de R$ 157 milhões ao longo de um ano – chamado de período tarifário, apurado entre março de 2022 e o final de fevereiro de 2023. 

Concordando com os problemas do contrato vigente até 2025 e que é necessário ajustar a divisão dos subsídios, o presidente da Urbs definiu que agora o objetivo central “é criar um novo sistema que não tenha esses defeitos”, atento à inclusão tecnológica. Ele considera que “infelizmente ele é muito caro para ser extirpado hoje” e que a revisão “levaria um tempo até o final dos contratos [2025]”. “Já reduzimos cláusulas contratuais desde outubro 2017, fizemos termos aditivos, fizemos muito cortes neste contrato, que é um contrato que não gostamos.”