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Titular do Corinthians, Adson ganha quatro quilos em seis meses: “A gente já nota a diferença”

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Gazeta Esportiva

13 de agosto de 2021 - 07:00 - Atualizado em 13 de agosto de 2021 - 07:15

Adson chegou ao Corinthians com 16 anos de idade. No início da temporada 2021, o jovem meia-atacante foi promovido ao elenco principal sob grande expectativa. A mudança não foi simples e refletiu em um período de adaptação, mas, após seis meses, Adson maturou, aprendeu a jogar em uma nova função, emendou três partidas seguidas como titular e marcou um gol.

“É um sonho o que eu estou vivendo. Sempre sonhei com esse momento, de ser titular do Corinthians. Hoje, é uma satisfação enorme. Fora de campo, às vezes as pessoas reconhecem, pedem para tirar foto. Eu acho isso muito bom, porque você está sendo reconhecido pelo seu trabalho”.

Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva, o goiano de Aruanã, cidade que beira o Rio Araguai, falou sobre o trabalho que tem feito fora de campo para ter condições de encarar a marcação mais pesada.

“Estou aproveitando a estrutura maravilhosa que o clube me proporciona. A gente já nota a diferença, está sendo bem importante esse trabalho para a minha carreira. A gente sempre faz o acompanhamento com a Cris (Christine Machado Neves, nutricionista), toda semana a gente faz a medida corporal e só estou evoluindo. Já ganhei quatro quilos. Estou bem melhor”.

Dentro de campo, os treinamentos, o contato com a comissão técnica e as dicas dos mais experientes também têm ajudado Adson a evoluir e ganhar seu espaço.

“A gente, na base, já sabia da pressão que tinha, mas não tinha dimensão que era tão grande. Acho que o principal fator (de diferença) foi esse. Teve muito também, pelo menos na minha questão, que sou muito franzino, dificuldade em dominar a bola de costas. O pessoal mais velho sempre me falava: ‘domina de lado que vai ser melhor’”.

Nova função

Em meio a essa adaptação e aprendizado, Adson foi testado aberto pela ponta esquerda. O desempenho nos treinos agradou a ponto de Sylvinho desbancar Mateus Vital para dar oportunidade à revelação alvinegra.

“Na base, eu jogava muito no meio campo. Eu era ponta direita, com liberdade para ficar no meio. O professor me colocou no treino uma vez pelo lado esquerdo, gostou e disse para eu me dedicar que a minha hora ia chegar. E, graças a Deus, estou conseguindo me firmar no time”.

Admiração pelos companheiros

O momento de ascensão coincide com as chegadas de Giuliano e Renato Augusto, atletas que podem elevar o nível técnico da equipe e potencializar o talento de Adson.

“São dois excelentes jogadores, têm uma grande história no futebol. Eles só têm a agregar no nosso elenco, passar experiência para a gente, sempre dão conselhos. Eles passam dicas, tentam passar o que eles já viveram. Sempre estão falando sobre posicionamento, tática, como é mais fácil, como não é”, contou, antes de admitir que chegou a se impressionar quando passou a frequentar o CT Joaquim Grava.

“Você olha para um lado e vê Cássio, olha para o outro e vê Gil, você fica arrepiado. Os caras ganharam tudo, você jogava com eles no videogame e agora poder compartilhar vestiário é muito gratificante”.

Idolatria

Mas, a grande referência de Adson no futebol não é nenhum jogador experiente ou multicampeão, e sim alguém que ele se identificou pelas semelhanças.

“Sempre falei que eu sempre fui fã do Pedrinho, que jogava no Corinthians. Em 2016, eu vi uma entrevista dele na televisão, depois dele ter vencido a Copinha, um moleque franzino e estar onde estava. Então, sempre tive ele como referência, por perceber que eu também podia, mesmo sendo franzino. O cara vem da base, a gente se espelha, né”.

Real Madrid e família

Quando tinha apenas 12 ano de idade, um empresário francês viu Adson jogando em Goiás e resolveu levá-lo para o Real Madrid. O jovem foi e passou no teste, mas a impossibilidade de se manter na Espanha, sem auxílio para moradia, o fez voltar. Quatro anos depois, chegou a proposta do Corinthians.

“Não é fácil mudar de Estado, tem a questão da família, acaba sendo difícil. Eu ficava sempre no alojamento, que é muito bom. A família veio morar aqui um tempo, mas, por conta da pandemia, eles voltaram para a minha cidade. Ainda quero trazer eles para cá, de novo”, contou.

“Meu grande sonho é conquistar muitos títulos pelo Corinthians para, um dia, ficar marcado. Já passaram vários craques aqui, espero que um dia eu seja um desses”.

No domingo, Adson deve ter mais uma chance de mostrar seu talento e cativar a Fiel. O desafio será contra o Ceará, na Neo Química Arena, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro.