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Santos termina de pagar o Huachipato e conclui acordo “polêmico” com a FK Sports

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Gazeta Esportiva

29 de outubro de 2021 - 14:26 - Atualizado em 29 de outubro de 2021 - 14:30

O Santos terminou de pagar a dívida com o Huachipato, do Chile, em relação à contratação de Yeferson Soteldo em 2019.

O Peixe do ex-presidente José Carlos Peres prometeu pagar ao Huachipato, mas não transferiu um real sequer. O débito gerou punição na Fifa e o Alvinegro, já com Andres Rueda, vendeu o venezuelano ao Toronto, do Canadá, em abril deste ano. A negociação foi fechada por 6 milhões de dólares (R$ 33,8 mi), valor repassado diretamente aos chilenos, e agora a parte final de 500 mil dólares (R$ 2,8 mi) foi quitada.

“Vamos buscando, sobretudo, a recuperação da credibilidade do clube. São problemas que poderiam gerar novos transtornos e estamos trabalhando para evitar que voltem a ocorrer, que fiquem no passado. Ficamos felizes em concluir mais um grande problema do clube”, disse Rueda.

O Santos já pagou 990 mil dólares (R$ 5,5 mi) e ainda precisa transferir 1,5 milhão de dólares (R$ 8,4 mi) em dezembro ao Krasnodar, da Rússia, pela chegada de Christian Cueva. Para a Doyen, o Peixe já arcou neste ano com 4,6 milhões de euros (R$ 30 mi).

Outro acordo

O Santos concluiu na semana passada o pagamento do acordo com a FK Sports, em um total de R$ 4,9 milhões (R$ 4,4 para a empresa e R$ 456 mil para um escritório de advocacia).

O acordo, assinado no final de 2020, dizia respeito a um suposto pedido da administração Modesto Roma para agilizar o recebimento do mecanismo de solidariedade na transferência de Neymar do Barcelona para o PSG, em agosto de 2017. A empresa que teria feito o serviço é a Quantum Solution, firma com sede em Malta e que posteriormente repassou o crédito para a FK Sports.

Segundo o anexo do parecer do Conselho Fiscal sobre as contas de 2020, o acordo reconheceu o valor total atualizado da dívida pleiteada pela FK Sports, com multa de 30% em caso de descumprimento, e ainda exigiu que o Santos renunciasse a uma ação contra o ex-presidente Modesto e a todos os recursos disponíveis.

A situação foi analisada pelo Conselho Deliberativo no triênio 2018-2020 devido a uma denúncia do então funcionário do departamento jurídico do clube, José Ricardo Tremura. Segundo ele, o então assessor da presidência, Moacyr Roma, sobrinho de Modesto Roma, solicitou a assinatura de um contrato e uma confissão de dívida com a Quantum com datas retroativas.

Em diversas reuniões do Conselho Deliberativo sobre o tema, questionou-se a participação efetiva da Quantum no recebimento do mecanismo de solidariedade. Três motivos principais levantaram o debate: 1) o Santos tinha direito ao valor recebido e o próprio atleta Neymar Junior pediu que o PSG efetuasse o pagamento de forma facilitada; 2) os responsáveis pela Quantum nunca foram encontrados por representantes do Conselho Deliberativo para prestarem esclarecimentos; 3) a Quantum se localiza em paraíso fiscal.

Membros do departamento jurídico do Santos disseram ao Conselho Fiscal ter desaconselhado o ex-presidente Orlando Rollo a assinar o acordo por não trazer vantagens ao clube. Até o momento desse acerto, o valor da ação estava depositado em juízo, sem qualquer julgamento favorável a qualquer das partes.

O Conselho Fiscal solicitou que o acordo fosse encaminhado à Comissão de Inquérito e Sindicância (CIS), como parte da análise das contas de 2020. No momento, o processo está seguindo de acordo com os prazos estatutários.