Esportes

Cérebro de Bellini será estudado para ajudar a esclarecer Mal de Alzheimer

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

21 de março de 2014 - 00:00 - Atualizado em 21 de março de 2014 - 00:00

A família de Bellini decidiu doar o cérebro do ex-jogador para estudos. Durante o velório desta quinta-feira a viúva, Giselda Bellini, disse que tomou a decisão para tentar ajudar a medicina a esclarecer o Mal de Alzheimer, doença comum a ex-jogadores e que também complicou o estado de saúde do capitão da seleção brasileira.

O objetivo é ajudar a esclarecer se o problema neurológico foi causado por possíveis danos das cabeçadas na bola durante a carreira como jogador. “O doutor Ricardo Nitrini perguntou se a família doaria o cérebro para que fosse feito um estudo, porque muitos atletas de vários esportes apresentam esse problema ou algo similar”, disse a viúva.

Depois do falecimento, uma cirurgia de cerca de três horas foi realizada no Hospital das Clínicas para retirar o cérebro. “É claro que se é para ajudar as pessoas a evitar essa doença no futuro, concordamos totalmente com a iniciativa”, afirmou Giselda.

Bellini estava internado desde o dia 18 de março no Hospital Nove de Julho e não resistiu aos problemas respiratórios. Ele deixa mulher e filhos.

Trajetória do craque e sua marca no Atlético-PR

Bellini foi o capitão da primeira conquista brasileira da Copa do Mundo, em 1958 e morreu na quinta-feira (20) aos 83 anos, após complicações do Mal de Alzheimer. Bellini foi bicampeão mundial pela seleção brasileira e jogou por sete anos no São Paulo (entre 1962 e 1968). Antes, havia defendido, com maestria, o Vasco (por 11 anos).

O ex-zagueiro se aposentou jogando pelo Atlético-PR. O jogador chegou ao time paranaense em 1968 para ser o capitão do time montado por Joffre Cabral e Silva. Bellini era  comandante de uma equipe que contava também com Djalma Santos, Sicupira, Nilson Borges e Zequinha.

O zagueiro foi destaque nos dois anos que defendeu a camisa rubro-negra. Despediu-se dos gramados em um Atletiba, no estádio Joaquim Américo, em 1969.

“Encerrado o tempo regulamentar, 0×0, as equipes juntas aplaudiram o craque que, tirando a camisa mas conservando-a na mão, deu uma volta inteira no campo. Muitos viram as lágrimas fartas correrem-lhe pelo rosto, iguais às dos torcedores que, gratos por terem tido Bellini por dois anos, aplaudindo, não tinham vergonha do pranto que choravam”, lembra o livro “Clube Atlético Paranaense: uma paixão eterna”, de Heriberto Ivan Machado e Valério Hoerner Júnior.

Bellini se destacou por ser o primeiro capitão de uma seleção a comemorar o título da Copa do Mundo erguendo a taça sobre a cabeça. O gesto agora é repetido por todos após as conquistas.

Corpo do capitão de 58 será enterrado neste sábado na sua cidade natal

Depois de ser velado no salão nobre do Estádio do Morumbi, em São Paulo, o corpo do ex-zagueiro Bellini seguiu para a cidade de Itapira, no interior de São Paulo. O corpo de Belini será enterrado na manhã deste sábado em sua cidade natal.

“O grande capitão. Essa é a marca do Bellini. Não só morre um atleta respeitado no mundo todo pela conquista inédita da Copa de 1958, mas um jogador que fez história e deixará saudades em todas as equipes onde passara. Apesar de inúmeros títulos, ele será lembrado sempre por ter sido o grande capitão do Brasil”, afirmou o presidente são-paulino, Juvenal Juvêncio, que fez questão de levar o corpo do jogador para ser velado no Morumbi.