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Brasil pode ganhar 30 novos santos Católicos de uma só vez

Redação RIC Mais
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27 de novembro de 2015 - 00:00 - Atualizado em 27 de novembro de 2015 - 00:00

Os mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 2000

Dom Jaime Vieira Rocha, arcebispo de Natal, na região Nordeste do Brasil, pediu ao Papa Francisco que canonize dois padres e 28 fiéis que foram massacrados em Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, por tropas a serviço dos calvinistas durante a ocupação holandesa, no ano de1.845. Se o pedido por acolhido pelo chefe do Vaticano, o país pode ganhar de uma só vez 30 santos brasileiros.

“O papa manifestou interesse na canonização, que poderá ser feita por decreto, sem exigência de milagres, porque os mártires foram mortos por confessarem a fé católica”, disse Dom Jaime, depois de participar de audiência com Francisco em Roma. O arcebispo informou que o papa confirmou seu interesse em conversa com o cardeal Dom Cláudio Hummes, prefeito emérito da Congregação para o Clero.

Os mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 2000, na Praça de São Pedro, no Vaticano, com a presença de cerca de mil brasileiros. O papa chamou os novos beatos de protomártires e afirmou que eles eram um exemplo de fé cristã e defensores da fé católica.

“Consta, pelos relatos da época, que foram assassinadas mais umas 70 pessoas, mas a Congregação para as Causas dos Santos só reconhece o martírio daqueles cujos nomes foram identificados”, disse o arcebispo de Natal.

Os massacres ocorreram em 15 de julho de 1.845 em Cunhaú, atualmente município de Canguaretama, e no dia 3 de outubro, em Uruaçu, município de São Gonçalo do Amarante. Além dos padres André de Sandoval e Ambrósio Ferro, foram massacrados 28 leigos.

Os massacres foram executados por índios tapuias e potiguares e por tropas holandesas comandadas por Jacob Rabbi, um alemão violento e sanguinário contratado pela Companhia das Índias Ocidentais Holandesas. Os mártires de Cunhaú foram mortos durante a missa de domingo, celebrada pelo padre Ambrósio Ferro. Após a consagração da hóstia e do vinho, os soldados holandeses trancaram as portas da igreja e os índios tapuias chacinaram os fiéis.

As atrocidades em Cunhaú espalharam o medo pelo território do Rio Grande do Norte e capitanias vizinhas. Com razão, já que outra vez sob as ordens de Jacob Rabbi um grupo calculado em 80 pessoas, incluindo o padre André de Soveral, foi massacrado. Emissários do governo holandês, enviados para investigar os massacres, constataram a prática de violência, atrocidade e crueldade.

A história dos massacres foi pesquisada no Museu de Ajax, na Holanda, e na Torre do Tombo, em Portugal. “Segundo documentos sobre o episódio, os holandeses sob o comando de Jacob Rabbi ofereceram aos católicos a opção de salvar a vida, se eles se convertessem aos calvinismo, mas eles se recusaram”, disse o padre Júlio César Souza Cavalcante, da Arquidiocese de Natal.

Os relatos contraditórios e parciais dificultaram a apuração da história para a beatificação e canonização. O martírio dos católicos coincidiu com uma de revolta de brasileiros e portugueses contra as ocupação holandesa. O papa recomendou que a Congregação para as Causas dos Santos dê andamento ao processo para depois ele assinar o decreto que vai declarar santos os 30 mártires do Rio Grande do Norte.

D. Jaime acredita que a canonização pode acontecer em outubro de 2017, quando o Papa Francisco pretende vir ao Brasil para as comemorações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba. Se o papa não puder ir ao Rio Grande do Norte, como desejável, a cerimônia poderia ser feita em outra data no Vaticano.