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Zagueira Érika planeja “fazer o básico bem feito” contra o Canadá nas quartas

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Gazeta Esportiva

29 de julho de 2021 - 16:27 - Atualizado em 29 de julho de 2021 - 16:30

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, véspera da partida contra o Canadá, a zagueira Érika, da Seleção Brasileira, analisou o adversário das quartas de final nos Jogos de Tóquio. A jogadora vai disputar este mata-mata pela quarta vez em Olimpíada.

“Enfrentar o Canadá é sempre duro. Sabemos da qualidade que aquela seleção tem e individualmente elas têm jogadoras que desequilibram. Mas também sabemos da qualidade que temos do nosso lado e é fundamental a gente acreditar no nosso trabalho. Temos muitos vídeos do passado, temos vídeos recentes, sabemos como elas jogam, mas futebol é futebol. Não podemos nos desconcentrar e perder o foco em nenhum momento do jogo, não pode bobear, fechar os olhos para nada e os detalhes vão ganhar cada partida. Iremos para o jogo superconcentradas e o objetivo é ganhar, não existe outro objetivo além de fazer isso e bem feito. Temos uma proposta de jogo e, do outro lado, elas terão trabalho também”, projetou Érika.

Na Era Pia, a Seleção feminina enfrentou as canadenses em quatro oportunidades: venceram duas e empataram duas, marcando oito gols e cedendo apenas dois. No mês passado, em jogo preparatório, as duas seleções empataram por 0 a 0. A atacante canadense Christine Sinclair luta para superar as brasileiras Marta e Cristiane no ranking de maiores artilheiras das Olimpíadas. Com bom humor, Érika enalteceu a adversária de longa data.

“Sabemos que a equipe do Canadá vem com gás e vontade. Até passei ali do ladinho e a Sinclair estava ali. Me deu um tapinha nas costas, disse ‘oi, Kika!’, que é como ela me chama, e deu uma piscadinha. E eu só pensando: ‘Olha, se eu jogar, mulher, não vou te deixar fazer nada’ (risos). A gente não comenta sobre o recorde, nunca conversei com as meninas nesse sentido, mas a Cris pode me pagar um jantar se ela quiser, a Marta também, para eu segurar a Sinclair se eu for jogar (risos). Brincadeiras à parte, sabemos que ela é uma excelente jogadora, gosto muito dela, já joguei contra várias vezes e já joguei com ela, sei da qualidade que ela tem. Mas do nosso lado também tem e estamos correndo atrás para isso, para não permitir que ela pense muito e execute seu melhor futebol, que é tão bonito, contra a gente”, disse a zagueira brasileira.

“Estamos fazendo um bom trabalho, sim, não tenho dúvidas disso. Aceitamos e iremos até o final com a ideia da Pia e de toda a comissão, e isso é o mais importante. Sabemos o quanto o estafe da Pia é condicionado a fazermos o melhor, ela te suga ao máximo para que você dê o seu máximo, e consegue fazer isso. Os detalhes que ela vem nos trazendo são importantes. E nós aceitamos isso, estamos juntas com ela, porque ela sabe a qualidade de cada peça. Não esperem 20 a 0, não esperem mais 10 a 0, placares elásticos. Queremos fazer o básico, mas fazer bem feito. Queremos colocar nosso trabalho e, de alguma forma, que seja meio a zero, gol de unha, o que a gente puder fazer, mas sair com uma vitória, será o nosso objetivo principal. Trabalhamos para isso, para estar bem entrosadas e seguir o trabalho”, garantiu.

A zagueira sabe que a equipe representa milhões de brasileiros e que esse exemplo motiva as meninas que estão começando no esporte a seguir adiante. Érika ressaltou a importância do apoio da família para que outras meninas como ela e a skatista Rayssa Leal, de apenas 13 anos, possam realizar seus sonhos e levar o nome do país ao topo do esporte.

“Essa pergunta me remete demais ao meu passado, porque eu andei de skate quando era menor, continuo andando hoje com minha sobrinha e o primeiro presente que dei a ela foi um skate. E muitas pessoas falavam: ‘Não faça isso, ela vai se machucar porque é coisa de menino’. Mas na nossa família não tem essa. É importante que você permita que a criança escolha o que ela quer ser: jogadora, médica, skatista, capoeirista, enfim. Tive oportunidade de praticar vários esportes, mas você precisa do apoio dos pais, sim, isso vai ser fundamental. Eu tive e hoje sou jogadora de futebol. Olha a importância de você praticar esporte quando é criança. Olha onde a Rayssa chegou, o mundo inteiro conhece a Rayssa.  Acredito que ela hoje, aos 13 anos, não tenha ideia do que ela é, do que está proporcionando a muitas meninas ainda mais novas que ela. E ela está fazendo brincando, né? Com tanto carinho, amor, prazer, porque é isso que ela gosta”, exaltou Érika.

Brasil e Canadá se enfrentam nesta sexta-feira (30), às 5 horas (horário de Brasília), no Estádio de Miyagi.