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WADA atualiza lista de substâncias proibidas para 2022

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Gazeta Esportiva

9 de novembro de 2021 - 15:13 - Atualizado em 9 de novembro de 2021 - 16:30

A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), uma das pioneiras no combate ao doping no esporte, divulgou a atualização da Lista de Substâncias Proibidas, anunciada pela Agência Mundial Antidoping (WADA). A nova lista entrará em vigor a partir do dia 1º de janeiro de 2022.

A principal mudança é a inclusão de todas as vias injetáveis de glicocorticóides (categoria S9) como proibidas. Até 31 de dezembro deste ano são proibidas apenas as vias de administração oral, retal, intravenosa e intramuscular, sendo permitidas todas as outras vias, que incluem, por exemplo, injeções peritendíneas ou intra-articulares. 

A partir de 2022, todas as vias injetáveis serão consideradas desrespeito às regras. Vale destacar que a categoria S9 é proibida somente em competição.

Para o doutor José Kawazoe Lazzoli, presidente da Confederação Pan-Americana de Medicina do Esporte e da Comissão de Autorização para Uso Terapêutico (CAUT) da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), a atualização é positiva.

“Os glicocorticóides têm potencial para melhora de desempenho e podem representar riscos para a saúde. Estudos mostraram que muitas das vias injetáveis que eram permitidas acabavam resultando em concentrações plasmáticas compatíveis com as vias sistêmicas que são proibidas. Além disso, injeções peritendíneas ou intra-articulares, algumas vezes inadvertidamente acabavam se tornando intramusculares”, explicou.

O Comitê Executivo da WADA, durante a reunião de setembro de 2020, propôs a proibição de todas as aplicações injetáveis de glicocorticóides em competição. Embora essa modificação tenha sido aprovada, o Comitê Executivo pediu à Administração da WADA para implementar a proibição apenas a partir de 1º de janeiro, para permitir tempo suficiente para que as partes interessadas aprendam e se adaptem a essa mudança.

“A mudança torna a regra mais clara, segura, e evita o desgaste da imagem do atleta com um teste positivo. A saúde do atleta sempre será a prioridade e, havendo comprovada necessidade, uma Autorização de Uso Terapêutico (AUT) deve ser solicitada obedecendo aos requisitos indicados pelo Código Mundial Antidoping. O atleta continua responsável pelo que é encontrado em sua amostra, e a equipe médica também tem o dever de conhecer e respeitar a regra”, disse o doutor Christian Trajano, gerente de Educação e Prevenção ao Doping do COB.

“Será necessário que os médicos das equipes estejam atentos ao fato de que agora necessitarão solicitar AUTs para os seus atletas para as vias de administração que eram permitidas e passarão a ser proibidas a partir de 2022. Isso naturalmente deverá implicar aumento de solicitações de AUT. Os médicos deverão se manter atualizados e atentos para evitar procedimentos proibidos a partir de 2022”, analisou Kawazoe.

Se houver a necessidade médica para uso da substância, o atleta pode solicitar uma AUT, desde que seja seguido o padrão internacional da WADA, para concessão.

Todos os anos a WADA conduz um extenso processo de consulta sobre a Lista Proibida, que envolve alguns dos especialistas mais qualificados nas áreas de ciência e medicina de todo o mundo. Isso permite que a WADA analise as últimas tendências e pesquisas científicas para garantir que qualquer substância ou método novo ou existente que possa atender aos critérios de adição à Lista seja considerado em tempo hábil, de modo a proteger a saúde do atleta e manter um jogo igual para todos.

“A data limite para a disponibilização das informações em português para todo o Movimento Olímpico do Brasil é 1º de janeiro de 2022, dia que a Lista 2022 entra em vigor. Mas quanto antes a comunidade esportiva do Brasil puder ter a informação sobre todas as mudanças da lista, mais benéfico será para os atletas. Entendo que a ABCD e o COB estão trabalhando juntos para disponibilizar as informações traduzidas e facilitar o acesso do Movimento Olímpico do Brasil a todas as mudanças na Lista de Substâncias Proibidas de 2022”, disse Maria José Pesce, Diretora Regional da WADA para a América Latina.

“Trabalhamos sempre em parceria com o COB que é membro do Fórum Brasileiro de Controle de Dopagem, uma parceria bem intrínseca, em cooperação conforme reza o Sistema Internacional Antidopagem”, explicou Luisa Parente.

Para auxiliar atletas, comissões técnicas e médicos, o COB, por meio de sua área de Educação e Prevenção ao Doping, vai disponibilizar no portal toda a documentação e orientações da WADA sobre a atualização da Lista de Substâncias Proibidas.