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Veja como a tecnologia ajuda o Santos a criar um “legado” para o futebol

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Gazeta Esportiva

14 de julho de 2021 - 06:00 - Atualizado em 14 de julho de 2021 - 06:15

O Santos do presidente Andres Rueda aposta na tecnologia e na centralização de conhecimento para criar um legado no futebol para as próximas gestões.

Essa diretoria assumiu o Peixe em janeiro e iniciou um diagnóstico com o objetivo de criar um manual de procedimentos. O documento não está concluído, mas avançou nos últimos meses e deve ficar pronto até dezembro para ser encaminhado e aprovado pelo Conselho Deliberativo e anexado ao regimento interno do Comitê de Gestão.

O próximo presidente receberia o “pacote Santos” para profissional, base, feminino e futsal e teria direito de mudar um determinado processo, mas precisaria do aval do Conselho – uma espécie de trava institucional para evitar erros e má fé.

Programa disponível, mas…

O Santos percebeu que não havia uma análise multidisciplinar no clube. A produção se resumia a cada setor e computadores dos profissionais. Desta forma, o Peixe estimulou o uso da plataforma BeatsCode. O software de gestão técnica de futebol estava disponível desde 2020, porém, não era alimentado.

Com o BeatsCode atualizado por todos os departamentos, o Alvinegro organiza as informações e evita riscos com os dados. Com diferentes acessos, qualquer colaborador, do presidente ao roupeiro, pode entrar no aplicativo e inserir ou checar os elementos. Andres Rueda não conseguia ter acesso fácil ao salário de alguém quando assumiu.

Membros do Comitê de Gestão e executivos têm permissão ilimitada ao aplicativo, enquanto outros funcionários só podem entrar nas suas áreas de acordo com a sua atuação. Os próprios jogadores da base e do profissional sabem por meio do BeatsCode a programação da semana, a lista de convocados e detalhes de viagem.

Por meio do BeatsCode, o Santos terá um histórico de cada jogador e funcionário no futuro. Para renovar, saberá qual foi a minutagem e quantos dias esteve no departamento médico, por exemplo.

Ficha de avaliação

Em fevereiro, o Santos inseriu a ideia desse manual de procedimentos no planejamento estratégico, definiu um fluxograma e colocou como regra a criação de uma ficha de avaliação.

Com reforços para o elenco profissional, a captação geralmente é fácil e o Peixe tem acesso completo ao histórico de clubes e lesões da carreira. Na base, porém, havia a necessidade de um “funil”.

Os atletas indicados pelo departamento de futebol/base e os treinadores são destrinchados em fichas com informações completas: idade, altura, pé preferencial, clubes por onde passou, lesões, prós e contras, valores envolvidos e se tem ou não agente, entre outros quesitos. Com tudo isso em mãos, os membros do Comitê de Gestão aprovam ou não determinado jogador.

Além dessa ficha, o comitê também conta com a participação do executivo André Mazzuco para tirar qualquer dúvida durante a pauta da reunião. Se os gestores não estiverem satisfeitos, o caso volta para o departamento de futebol para correções ou o atleta é vetado.

Se o jogador for aprovado, ele entra na parte administrativa e jurídica de contrato, além da avaliação multidisciplinar: como o parecer de um psicólogo e diversos exames que duram um dia inteiro no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

“Peneiras”

O Santos evita usar o termo “peneiras” e foca em “avaliações” de atletas. O Peixe disponibilizará nos próximos dias uma ferramenta para qualquer um que quiser participar ou inscrever um conhecido para ser testado pelo Alvinegro.

O Santos trabalha para evitar novos casos como o de Lucas Yanase, contratado pelo ex-presidente José Carlos Peres no primeiro dia de gestão e que passou três anos sem nem ser utilizado na base. Ninguém, nem o presidente ou o diretor, pode contratar sem o aval do departamento de captação.

Ex-seleção brasileira e Athletico-PR, Rodrigo de Carvalho foi contratado para liderar o setor de captação. Alguns dos observadores são Nenê Belarmino, Liló e Balu.

O Peixe terá uma avaliação de quatro dias de treino – dois formais, um coletivo entre os candidatos e um com a categoria -, e seis observadores acompanharão. Cada observador terá uma ficha individual para dar nota para cada fundamento. Os aprovados deixam esse “pré-grupo” e vão para o “grupo”, com mais quatro dias de treinamentos e a presença dos técnicos e gerentes antes da decisão final.

O Alvinegro quer avaliar de fato um atleta, com critérios técnicos, para não apenas aprovar quem teoricamente é melhor, mas também para justificar quem não passou e evitar problemas políticos com os “amigos dos amigos”.

Algumas avaliações já ocorrem de segunda a quinta-feira, às 10h, no CT Meninos da Vila. Em função da pandemia da covid-19, porém, os jogadores precisam levar exame PCR negativado e avaliação cardíaca. O Santos explicará todos os passos para quem quer ser avaliado em breve.

Santos e Baixada Santista

O Santos tem se cobrado para conseguir bons jogadores e jogadoras em todo o Brasil, mas principalmente para não perder os destaques da Baixada Santista. O Peixe estimulará as parcerias com escolinhas e clubes amadores nas próximas semanas.

Outra preocupação é incentivar o futsal. O técnico do sub-10 do salão, por exemplo, é o auxiliar do campo no sub-11. Os jovens treinam na quadra e no gramado durante a semana e competem nos diferentes terrenos.

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