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Vagner Mancini avisa que vai tentar resgatar a identidade do Corinthians em campo

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Gazeta Esportiva

13 de outubro de 2020 - 15:19 - Atualizado em 13 de outubro de 2020 - 15:45

Se Tiago Nunes chegou ao Corinthians com a missão de mudar a filosofia de jogo do time, Vagner Mancini foi apresentado na tarde desta terça-feira justamente para fazer o contrário.

O novo técnico explicou, em entrevista coletiva virtual, que vai buscar o resgate do que o Timão apresentou na última década, tanto nas formações táticas quanto nos resultados.

“No momento inicial, tenho de dizer que o Corinthians vai voltar a ser o Corinthians, com a marca Corinthians, não adianta querer mudar uma cultura, uma maneira de jogar. Obviamente que todo mundo tem o direito de tentar, mas no momento, onde a situação mostra pra gente que é importante estar focado e buscar nas suas raízes a tua maior força”.

A estreia de Mancini à frente do Corinthians vai acontecer nesta quarta-feira, na Arena da Baixada, em Curitiba, contra o Athletico. O Alvinegro é o 17º colocado na tabela de classificação, dentro da zona de rebaixamento e não vence há cinco rodadas.

Confira a entrevista de Vagner Manicni na íntegra

Semelhança com Athletico

“É uma satisfação muito grande estar sentado aqui, vestindo essa camisa, com todo esse peso, essa história. Realmente, vejo muita semelhança com aquele 2013 com 2010, o Athletico vivia uma situação semelhante, a gente teve uma arrancada boa no campeonato, chegando a Libertadores, final da Copa do Brasil e o pensamento é essa. Quando encontra pessoas capazes e dispostas a fazer o que precisa ser feito, tem tudo para andar”.

Prioridade no time

“No momento inicial, tenho de dizer que o Corinthians vai voltar a ser o Corinthians, com a marca Corinthians, não adianta querer mudar uma cultura, uma maneira de jogar. Obviamente que todo mundo tem o direito de tentar, mas no momento, onde a situação mostra pra gente que é importante estar focado e buscar nas suas raízes a tua maior força, o Corinthians tem de voltar a jogar da forma como acompanhamos toda a trajetória do clube, as conquistas, buscar o que teve de melhor, onde o clube tinha dentro de campo atletas que buscavam o máximo todas as jogadas, todo mundo sabia da dificuldade de enfrentar o Corinthians, mesmo fora de casa, tinha uma marca Corinthians, temos de resgatar isso. Isso vai dar, além de confiança, bons resultados. Depois, com o passar do tempo, óbvio que os ajustes serão feitos.

Rebaixamentos e rejeição ao nome

“A controvérsias ai, porque óbvio que não foram cinco rebaixamentos, a partir do momento que passa, faz parte da temporada, muita gente analisa de forma diferente, é como falar que o Abel Braga ganhou a Libertadores e o Brasileiro em 2019, porque ele fez parte do processo. Muitas matérias saem sobre isso, mas não quer dizer que aquilo se consumou”

“O Atlético-GO vinha fazendo um grande trabalho, sim, mas hoje estamos em outro lugar e é necessário que a gente entenda a dimensão daquilo que está acontecendo. Corinthians é um clube onde tudo acontece muito rápido, onde as coisas explodem de uma forma acelerada para o positivo e negativo. Importante dizer que qualquer profissional se atualiza a partir do momento que ele estuda e se atualiza. Melhor maneira de eu responder é dentro de campo, mostrar o que o torcedor gosta de ver, que seja uma equipe organizada e passe segurança. Todo mundo que assiste o Corinthians jogar já espera de antemão alguns princípios, e estes princípios voltaram, acredito no meu trabalho e tenho convocação naquilo que sei fazer e que sei que sou capaz de realizar”

Ciência do momento do clube

“Eu encontro um clube que está numa situação difícil, incômoda, e que vai reagir no campeonato. Acredito muito nas pessoas que estão aqui, como no elenco que tenho à disposição hoje. Essa convicção me faz vislumbrar um futuro melhor. Acredito que minha vinda pode ajudar a solucionar problemas que o clube tem, que são gerados por uma série de detalhes”.

Polêmica do áudio vazado

“Houve a conversa na época, fiz questão e ligar para o Andrés na época, conversamos, assim como liguei para o Roberto de Andrade, expliquei a ele. Foi uma felicidade muito grande, Corinthians era o líder, invicto há 42 partidas, vazou o áudio de um grupo de amigos, pela satisfação da vitória. Chateou muita gente, e peço desculpas de novo, se alguém se sentiu chateado, liguei para o jornalistas, liguei para todas em 24 horas após os episódios, eu acerto e erro como todos, mas temos de ter dignidade, a partir do momento que erra, vai lá, reconhece, e a vida segue. Isso é muito pequeno para tudo que está acontecendo hoje. Temos de olhar para frente, torcedor sabe que aqui vai doar a vida para o clube e naquela oportunidade fiz aquilo que achei justo, pedi desculpas e reconheci o que tinha feito”.

Grande no Z4

“Não tenha dúvida que a partir do momento que um gigante entra numa situação desconfortável, ele sente, porque abala o emocional dos envolvidos, mas também é a oportunidade de mostrar que há reação e as pessoas aqui têm seu valor. Não tenho dúvida que vamos reagir o mais rápido possível. Ajustes serão feitos porque é necessário, mas acreditar nas pessoas aqui faz parte do processo”.

“Ganhar jogos é o mais importante. Ter conquistas são mais importantes do que mostrar alguma coisa que não seja a sua cara. A cara do Corinthians não vitórias suadas, em cima de um comportamento, a cultura do clube é essa. Não quero só um futebol vistoso, quero que o Corinthians ganhe, conquiste. Esse futebol vistoso não quer dizer plástico, e sim de entrega, de empenho”

Desafio

“Não tenha dúvida que sempre que você vai para um clube, você pega um cenário de uma reconstrução, seja ela qual for. Aqui, é devolver a confiança aos jogadores, mostrar pra eles que a organização tática tem de acontecer, isso gera confiança nos atletas, você executando suas funções, você tem muito a evoluir. Quando não tem essa organização como equipe mostrada em campo, você começa a correr de uma forma aleatória, importante que essa transformação aconteça em cada detalhe”.

Grande chance e sequência difícil

“É a grande chance da minha carreira, sim. Assino embaixo isso, pelo tamanho da história”.

Todos são difíceis, não conseguiria olhar uma sequência de jogos mais fáceis ou difíceis, todos merecem respeito e serão encarados da mesma forma. Assim que você começa se preparar para ser vencedor. Nesses jogos, também serão difíceis para o adversário”.

Estratégia tática e falta da torcida

“É muito difícil falar, sem ter visto dentro de campo o que eu penso. Sempre antes de mostrar, você olha para a característica individual e coletiva. Da coletiva, já falei da história do clube, da cultura, aliado a isso, tem de mostar um sistema eficiente, que contemple essas variáveis e seja vencedor. Corinthians tem de ter uma forma de jogar e ser uma equipe temida”.

“Não tenha dúvida que enfrentar o Corinthians na Neo Química Arena é muito amis simples, fácil, porque joga sem a pressão habitual. Muitas vezes, os árbitros, adversários, são contaminados por isso, e não é fácil. Quando voltarmos, certamente, o Corinthians vai ter um ganho”.

Astral do elenco e comparação com time feminino

“Não tenha dúvida que isso só realça o tamanho da instituição. Acompanho também o feminino e fico feliz de ver a qualidade do futebol”.

“Tenho certeza que o Andrés gostaria de manter os treinadores. A gente pede tampo, mas temos de entender também o contexto do que é vivido, como em toda empresa. A gente tem que respeitar isso, a partir do momento que tem um contrato”.

“Esperar que seja um time com um astral diferente. Tive oportunidade de assistir boa parte do jogo contra o Cerará, pelo que vi no semblante dos atletas aqui no CT, esse vai ser um dos pontos a serem atacados Com dois treinos é difícil mudar esquema tático, mas pode mudar o aspecto emocional, que já pode ser importante. Dentro disso, é importante organizar a equipe, mostrar o que é possível e eles já fizeram, e devolver a confiança. É importante que a gente dê um choque para amanhã já ter uma evolução em tudo isso”.

Disputa e reforços

Ainda não deu tempo da gente falar sobre tudo, tenho menos de 24 horas no clube, com calma vamos analisar, ver o que o mercado oferece”

“Vejo sinceramente muitas possibilidades alcançar alguma coisa no campeonato, faltam, 23 jogos ainda, tem muita coisa, campeonato está equilibrado, mas penso que temos de focar em todas as partidas, porque uma somatória de pontos seguidas nos leva a outra posição e você começa a pensar diferente.”

Base e prazo

“Acho difícil você estabelecer qualquer tipo de prazo no futebol. A gente pode ver, como já passamos por essa situação, e rapidamente o time passou a jogar bem e a confiança foi devolvida ao elenco. Esse time foi só melhorando o campeonato. É sempre muito arriscado, porque o tempo para nós pode ser diferente de quem está esperando a vitória e joga junto com time. O que me asseguro amis é no dia a dia com o jogador, depois de um tempo a gente vai conseguir dizer quanto tempos será necessário, esse momento é amis emocional do que qualquer outra coisa”

“Óbvio que eu tenho algum conhecimento, não é profundo, tem atletas inseridos, já estão sendo observados desde ontem, também uso a estrutura do clube para saber o que temos, temos pessoas capazes que estão aqui dentro, Coelho e Mauro, que vão passar as informações necessárias para a gente acertar mais do que errar. Tive a oportunidade ao longo na minha carreira de dar oportunidade para vários atletas, que tiveram destaque internacional, chegar e jogar. Jogador não tem idade, maturidade é com a vida e não com a idade. Sempre que eu tiver a possibilidade enxergar num atleta jovem que ele está pronto, ele passa a ser um adulto igual a todos que estão no elenco”.

Salários atrasados e identidade do time

“Já passei por situações assim e te falo que a experiência sempre foi muito boa. Você, olhando nos olhos e falando a verdade, sempre vai ter um desfecho feliz, seja na vida pessoal ou dentro de qualquer empresa. Quando se fala a verdade, não tem retaliação na frente, que é o que importa”.

“Realmente (Corinthians de 2015) apresentava um futebol muito bonito. Pra esse momento seria uma loucura eu querer resgatar a plasticidade do futebol. Tudo tem a sua etapa. Em primeiro lugar, resgatar o emocional para a equipe parar de perde e começar a ganhar. Depois vem as outras coisas. Assim, a tendência é que o jogador comece a evoluir e leve o coletivo junto. Neste primeiro momento é reorganizar a equipe para ter aspirações no campeonato, para o jogador desenvolver aquilo que ele sabe. E posterior a isso, a gente vai buscar outras coisas. Óbvio que temos de jogar mais, porque ninguém pode estar satisfeito com o que temos no momento. Cada coisa em seu tempo”.

Otero e Cazares

“Acho que não só o Cazares e o Otero, o Gabriel e o Fagner que já foram meus atletas, todos têm a ganhar quando se tira o melhor de cada um. O atleta também está em aprendizado. A partir de momento que temos jogador der Seleção, e é bom lembrar isso, temos time para tirar o time desta situação, os dois foram muito bem comigo no Atlético-MG, depois, com a chegada de outro profissional, os dois perderam espaço no clube e passaram por um período de inatividade. é necessário que a gente olhe pra isso e resgate, porque eles são peças fundamentais parta a gente sair dessa situação incomoda”.

Resgatar a confiança

“O resgate se dá por várias maneiras, não é só dentro do treinamento ou dar partidas.; Muito importante também o entorno do vestiário, do campo. As atribuições do treinador vão muito além de escalar a equipe, hoje tem de trabalhar a gestão das pessoas”.

Estilo de jogo

“Acho importante as duas coisas. Você não pode querer que seu elenco jogue da sua maneira se ele não tem característica pra isso, é dar murro em ponta de faca todos os dias. Ao mesmo tempo, não pode tornar o sistema para o atleta confortável demais. Dentro do que é montado, tem de gerar algum desconforto para gerar evolução, não aborrecer ninguém. A gente vive uma eterna pressão, e muita gente acha que vem só do lado externo. A pressão está exercida em cada um dentro do futebol. Quem não tem preparo fica no meio do caminho. Todos meus times têm uma forma agressiva de jogar, isso eu posso pedir, a partir do momento que isso não interfira na característica do jogador. Agredir significa diminuir na marcação, subir as linhas, chegar o mais rápido possível ao gol adversário. Essa agressividade vai existir no Corinthians. Ser agressivo é o ponto diferencial. Você não pode ter uma equipe que queira chegar ao gol sem agressão, tem que agredir de alguma forma, seja com a bola, sem a bola. Essa agressividade talvez esteja faltando. É muito cedo para análise, eu cheguei ontem, não quero me comparar com ninguém, erros também vão acontecer, mas essa agressividade é o que eu quero que as equipes sintam quando jogarem diante do Corinthians”.

Técnicos estrangeiros na ponta

“Vejo com naturalidade. Quando você busca um treinador de fora e dá um elenco de bons jogadores, ele pode desenvolver o que eu ele pensa. Nós, brasileiros, também já fomos lá para fora várias vezes, eu inclusive tive uma experiência, esse intercâmbio é muito saudável ao futebol. Tem de parar com esse negócio de botar a naturalidade, ele é um profissional do futebol, não me importante se ele é argentino, paraguaio, alemão ou inglês, mas percebo eu há uma rixa entre brasileiros e estrangeiros, e isso não deve acontecer. Se eles são importantes aqui, nós também já fomos em outros lugares, vejo com naturalidade, assim como vários atletas estrangeiros triunfaram no Brasil, outros brasileiros já trinfaram na Europa, na Ásia, na África. Assim como ajudamos muita gente lá fora, eles também podem nos ajudar”.