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Santos aposta em diálogo para fazer ‘limpa’ judicial: “Não adianta se isolar em um casulo”

Gazeta
Gazeta Esportiva

10 de outubro de 2020 - 08:00 - Atualizado em 10 de outubro de 2020 - 08:15

O Santos aposta no diálogo para fazer uma “limpa judicial” nas próximas semanas. De acordo com o presidente Orlando Rollo, há 116 processos contra o Peixe.

A gestão em exercício do Alvinegro percebeu muitos casos “silenciados”, sem satisfação aos credores. A ideia é entrar em contato e renegociar.

“É conversa. Vamos tentar negociar. Começamos a negociar. Não adianta se isolar em um casulo como em outras gestões e empurrar processos com a barriga até próxima gestão. Estamos aqui para resolver. Nosso Comitê de Gestão deliberou em reunião que nosso departamento jurídico tem autonomia para entrar em acordo em todos os processos pendentes. Faremos uma limpa judicial. Faremos acordos, como tentamos com a Doyen. É diálogo”, disse Rollo.

Um dos casos mais importantes é o problema com a Doyen Sports. A empresa conseguiu na Justiça a penhora de pouco mais de R$ 85 milhões nesta semana.  

O Tribunal elencou recebíveis de negociações, mecanismos de solidariedade e valores de transmissão da Rede Globo. O Peixe de José Carlos Peres não pagou a última parcela do acordo com a Doyen de 5 milhões de euros (R$ 33 mi, na cotação atual), vencida em setembro de 2019.

Depois da parceria entre 2013 e 2014, o Alvinegro acumulou débitos e firmou um acordo por meio do ex-presidente Modesto Roma pelo pagamento em três parcelas de 5 milhões de euros. A multa é de 10 milhões de euros (R$ 66 mi) e foi considerada desproporcional pela gestão de Peres, afastada para responder processo de impeachment. Rollo e seu grupo lidam com essa penhora.

“Valor é alto, fora da realidade no momento. Vamos manter o diálogo para resolver”, resumiu o presidente em exercício.

O empresário Luiz Taveira, responsável pelo acordo com a Doyen na gestão Modesto Roma, é um dos interlocutores da conversa atual com o fundo de investimentos maltês.

O agente repercutiu um e-mail recente de Augusto Ricardo Cabral Cajueiro, intermediário da empresa. A negociação caminha bem.

“Como te falei por chamada, te envio aqui algumas observações sobre o senhor José Carlos Peres. No final de setembro de 2019, Peres, com atitude errada, sabendo que estava errando e sendo covarde e irresponsável com a instituição, iniciou um enorme prejuízo aos cofres do clube. O dia 30 de setembro era o prazo final para pagar a última parcela do débito com a Doyen Sports. E não cumpriram. Após 14 dias, eu e Alfonso (Aguilera Rosique, também ligado à Doyen) tentamos contatá-lo e também demais membros do clube sem sucesso. Ele nos procurou depois com um monte de desculpas mentirosas., Eu, Ricardo, com respeito à instituição e pena de funcionários humilde do clube, apaziguei a situação que estava descontrolada.  E depois de termos arrumar com Pedro Felipe, membro do departamento jurídico, e Rubens, do departamento financeiro, Peres pôs tudo a perder e aí a ação cobrando tudo foi iniciada… As bases que a Doyen quer estão na sua mão. Não tem pagamento neste ano. Só esperando o plano de proposta para pagar os valores passados para que eu possa finalizar a pedir a autorização para desbloquear a ação na Justiça”, diz o e-mail enviado por Taveira.